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  • Foto do escritorPedro Galvão

Resenha: Viper: 'Timeless' (2023)


Lançado no último dia 23 de junho pelo selo Wikimetal Music e com produção de Maurício Cersosimo (Paul McCartney, Avril Lavigne), Timeless é o sétimo álbum de estúdio dos precursores do Metal Melódico no Brasil: Viper. O primeiro trabalho de inéditas do quinteto de São Paulo (SP) após 16 anos, quando ‘All My Life’ foi lançado, ainda com Ricardo Bocci nos vocais. Nessa uma década e meia de diferença, a banda passou por uma bem-sucedida turnê de reunião com a formação (quase) original tocando os dois primeiros álbuns na íntegra (que gerou um CD e DVD ao vivo); o estabelecimento de uma nova formação com Leandro Caçoilo nos vocais; e o choque trágico com a morte precoce de Andre Matos. Mas a espera foi recompensada com um álbum até longo para os dias atuais, com mais de cinquenta minutos de duração, divididos em 11 faixas.


‘Under the Sun’ é uma excelente faixa de abertura que remete aos dois primeiros lançamentos da banda, sem soar forçado. O Refrão grudento e os ótimos solos/duetos de guitarra permanecem como uma marca do quinteto paulista. Há trechos em que já imaginamos a interação com o público nos shows da turnê de divulgação de ‘Timeless’. ‘Freedom of Speech’ é puro Heavy Metal anos 80, repleta de pegada, melodias e bases bem arranjadas, com uma mensagem que aborda a ameaça da liberdade de expressão. Por fim, temos uma participação mais do que especial: Daniel Matos, irmão do Maestro do Rock, gravou o baixo dessa música. A faixa título retoma o ritmo mais acelerado e com uma identidade própria, sem remeter a qualquer fase do Viper, até mesmo quando utilizam arranjos característicos, como um belo um interlúdio de piano e voz.


Essa comparação entre os registros anteriores é natural porque o Viper transitou entre vários subgêneros da música pesada, do Heavy Metal Tradicional ao Rock Nacional, passando pelo Hard Rock, com doses de Punk, tudo de uma forma muito particular. Sempre que anunciam um novo lançamento, uma expectativa é gerada sobre o que o Viper vai nos apresentar.


‘The Android’ é cantada por Pit Passarel e Leandro fazendo backing vocals e tem uma pegada ao estilo do álbum ‘Coma Rage’. Uma faixa Speed Rock com influências claras de Motorhead. Apesar de menos técnica é uma das mais instigantes de todo CD. Com quase dez minutos de duração, ‘The War’ é a maior e melhor surpresa em ‘Timeless’. A primeira parte é acelerada, melódicas e com versos e refrão grudentos. A segunda parte é mais cadenciada, sem perder as melodias de guitarra e o peso da bateria de Guilherme Martins. Daí a música evolui para um interlúdio em que se destacam o baixo, os vocais e os teclados. Em seu final, voltam a acelerar o ritmo. ‘The War’ pode ser definida como um resumo dos três primeiros álbuns do grupo. É o tipo de composição que é tão bem feita que não aparenta ter a duração que tem e tampouco é cansativa.


‘Angel Heart’ é uma canção radiofônica, em partes soa como um Pop Rock Britânico, em outras a sonoridade lembra o Foo Fighters. Pit Passarel é conhecido por ser um compositor que vai além dos limites do Heavy Metal, contribuindo até para outras bandas, como Capital Inicial. ‘Angel Heart’ é uma perfeita amostra disso. ‘Light in the Dark’ retoma o ritmo empolgante e melódico que forjou o início da carreira do grupo paulista, e mais uma vez: sem soar como cópia de si mesmo.

Para quem conhece a discografia do Viper, as últimas quatro músicas do álbum são as mais experimentais do álbum. ‘Echoes in the Mirror’ e ‘Vit Righta’ são faixas distintas com uma pegada Heavy Rock em comum, destacando os vocais dos demais instrumentos. Vocalizações com dobras e efeitos, enquanto as guitarras, o baixo e a bateria executam linhas mais simples. ‘Thais’ é uma balada indie em que as vozes são o carro chefe ao lado de violões acústicos. ‘Angel Heart’, ‘Echoes In The Mirror’, ‘Vit Righta’ e ‘Thais’ são boas músicas que podem soar muito bem para quem aprecia a fase menos Heavy Metal ou causar estranhamento para aqueles que preferem um direcionamento mais pesado do Viper. ‘Reality’ é uma composição instrumental em que os violões e arranjos orquestrados ficam em primeiro plano. O álbum é concluído em uma atmosfera intimista, emocionante e melancólica.


Sendo o primeiro registro dessa formação, destaco: a performance de Leandro Caçoilo, que canta com originalidade, contribuindo muito para esta nova fase da banda, sem causar saudosismos; e o trabalho de Felipe Machado e Kiko Shred nas guitarras, com ótimas melodias, solos e riffs marcantes. ‘Timeless’ é um álbum distinto de todos os anteriores. Apesar de manter características que moldaram sua história, abriram espaço para experimentalismos musicais que se distanciam de suas origens. Essa ousadia é marca da trajetória de sucesso do Viper.


Viper – Timeless (Album/2023)

01. Under the Sun [04:54]

02. Freedom of Speech [03:28]

03. Timeless [06:15]

04. The Android [03:48]

05. The War [09:56]

06. Angel Heart [05:35]

07. Light in the Dark [04:31]

08. Echoes in the Mirror [04:22]

09. Vit Righta [03:32]

10. Thais [04:36]

11. Reality [01:52]


Tempo Total: 52:49



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