• Renan Soares

Shaman e Noturnall: confiram a resenha da passagem das bandas por Recife

Updated: May 23


Antes de começarmos a falar do evento que trouxe para o palco do Clube Internacional do Recife as bandas Shaman, Noturnall e Clash Bulldogs, vamos falar de todo histórico e mudança do mesmo, que de início iria acontecer em maio de 2020, tendo sido adiado até o momento graças ao fim do mundo ocorrido há dois anos.


Antes da Covid-19 parar o mundo em março de 2020, o Shaman estava com show marcado na capital pernambucana para maio daquele mesmo ano no agora falecido Recife Experience Sports Bar, contando apenas com duas bandas locais para a abertura. Na época, outra produtora estava responsável pelo evento. Depois, o evento foi adiado para novembro do mesmo ano mantendo as atrações, o formato e o local, o que obviamente também acabou não ocorrendo.


Depois disso, a produção da época muda o evento para maio de 2021, mas alterando as atrações e o formato, sendo agora um megaevento com Angra e Shaman, e diversas bandas locais, agora no também falecido Baile Perfumado, o que certamente também não rolou, já que a pandemia ainda não estava dando trégua naquele período.


Após a vacinação avançar (e muitas coisas mudarem de 2020 para cá), o show foi remarcado, mais uma vez mudando as atrações, se tratando agora da turnê conjunta do Shaman com o Noturnall, dessa vez marcado para o dia 08 de maio de 2022, no "novato" Matrix Music Pub, cuja a gerência era feita pelos mesmo responsáveis pela produtora que estava trazendo o Shaman desde a primeira data em 2020.


Mas, graças a problemas internos de gerenciamento da produtora, e consequentemente, do próprio Matrix Music Pub, que acabou resultando no cancelamento de um show dos Raimundos no dia do evento na casa em questão em meados de março desse ano, o estabelecimento fechou as portas (quatro meses após a inauguração) e o show do Shaman com o Noturnall ficou na corda bamba.


E porque estou enchendo vocês com toda essa história antes da resenha? Pra vocês verem que antes de tudo, esse evento ter ocorrido foi uma grande vitória, já que o mesmo acabou sendo bastante prejudicado graças a gestão confusa e sem noção da produtora anterior (e eu estou resumindo bastante a história), e se não fosse a produtora Blackout Discos, que salvou o evento pegando em uma bomba a praticamente um mês da data (a data foi mantida, mudando apenas de local), certamente esse show teria sido cancelado.


E todas essas questões certamente afetaram na questão do público presente, que foi muito abaixo daquilo que o Shaman é capaz de trazer, já que por conta de todos esses tramites, a Blackout Discos só conseguiu confirmar todos os detalhes do show quase 1 mês antes (confirmando a Clash Bulldogs como atração de abertura), e graças a todas as mudanças que o evento sofreu a cada "atualização" da produtora anterior, para muitos nem sequer ficou claro que aquele era teoricamente o mesmo evento que estava marcado inicialmente para maio de 2020.


Também teve o fato do show ter caído exatamente no domingo de Dia das Mães, mas sinceramente, não acho que isso tenha afetado tanto na questão do público.


Mas enfim, falando finalmente do evento em questão, que inicialmente estava marcado para se iniciar às 18h, acabou tendo uma hora de atraso, tendo às 19h a banda carioca Clash Bulldogs subido ao palco do Clube Internacional diante de um público de gatos pingados e morno.


A banda, que é uma novata no cenário brasileiro (tanto que o primeiro show deles foi em um festival online de Recife, durante a pandemia), não se deixou desanimar pelo baixo público, e apresentou seu Heavy Metal pesado com a intensidade de como estivesse tocando para um estádio lotado.


O vocalista e guitarrista Marcelo Braune esbanjou presença de palco, mostrando ser um excelente frontman, principalmente durante o cover de "TNT", do AC/DC, onde ele conseguiu deixar o público em sintonia com a apresentação.


Mesmo tendo apenas 40 minutos de apresentação, a banda tocou como se fosse o headliner daquela, e certamente eles mereciam um público bem mais numeroso. De qualquer forma, a Clash Bulldogs chegou chutando a porta de entrada com um show monstruoso, inaugurando em grande estilo o evento daquele domingo de Dia das Mães.


SETLIST


01 Prophets of Time 02 Tears of Blood 03 Take the Liars Down 04 TNT (AC/DC Cover) 05 Sharp Theeth 06 Don't Mess With the Bulldogs 07 Untamed 08 Anger Grows

Após o encerramento do show do Clash Bulldogs, não demorou muito para o Noturnall subir ao palco do Clube Internacional e estremecer as estruturas do local, sob o comando do vocalista Thiago Bianchi.


A banda, que conta atualmente com o americano Mike Orlando (Adrenaline Mob) na guitarra, chegou mostrando todo o peso do seu som, com Thiago Bianchi mostrando todo seu carisma, interagindo com o público, e até pegando o celular de um fã que estava fazendo live do show para dar imagens privilegiadas do palco a ele.


Inclusive, Bianchi não poupou esforços para chamar a "galera do fundão" para perto do palco e para instigar os presentes, tendo inclusive ele mesmo ido para a pista em "Fight The System" para ele mesmo abrir a roda punk (ele fez a mesma coisa no show que fez no Abril Pro Rock de 2018).



Inclusive, vale ressaltar que muito provavelmente, nessa noite a banda quebrou uma "maldição" que tem com Recife, já que lembro de duas ou três ocasiões em que a banda iria se apresentar na cidade, mas o evento acabou sendo cancelado (e isso quase aconteceu de novo, como mencionei no início do texto).


Outro que tem bastante presença de palco é o guitarrista Mike Orlando, que também constante instigava o público, além dele praticamente brincar com a guitarra.


O repertório do Noturnall mesclou músicas dos seus três atuais álbuns, com algumas do novo intitulado "Cosmic Redemption", que deve ser lançado no segundo semestre, e também dois covers, sendo esses das músicas "O Tempo Não Para", de Cazuza (que recentemente a banda liberou uma versão contando com a colaboração de Ney Matogrosso) e "Undaunted", do Adrenaline Mob.


E com o som não favorecendo muito a voz do Thiago Bianchi, o show se encerrou com a música "Nocturnal Human Side", com o público formando mais uma roda punk.


SETLIST


01 Cosmic Redemption 02 Wake Up 03 No Turn at All 04 Fake Healers 05 Fight The System 06 Scream For Me! 07 O Tempo Não Para (Cazuza cover) 08 Undaunted (Adrenaline Mob cover) 09 Nocturnall Human Side


E agora, era chegada a hora que todos esperaram por dois anos, o primeiro show do Shaman no Recife com a nova formação, com Alírio Netto nos vocais, no mesmo palco onde a banda realizou a última passagem deles ainda com André Matos em vida, há 4 anos atrás.


O Shaman trazia ali a turnê do novo álbum "Rescue", o quinto do seu repertório. E claro, o setlist da noite foi mesclado com faixas do novo trabalho, e também do "Ritual" e do "Reason", discos gravados por André Matos (e definitivamente, o "Immortal" e o "Origins", álbuns da era Bianchi, viraram renegados pela banda).


E definitivamente, Alírio está assumindo os vocais do Shaman com a mesma maestria que o saudoso André Matos tinha, isso sem falar na atuação dele como frontman no palco que lembra bastante a de André.



Infelizmente, mesmo durante o show do Shaman, que era a atração principal da noite, o Clube Internacional ainda apresentava um baixo público (ainda mais se for comparar com o público presente do show de 2018, ainda com André Matos), mas mesmo assim os que estavam lá mostraram a que vieram, interagiram com a banda e cantaram juntos inclusive as músicas do álbum novo.

Outro que também tem uma ótima interação com o público é o guitarrista Hugo Mariutti, que constantemente chamava a plateia para o show, diferente do seu irmão Luís, que na primeira parte do show ficou mais na parte de trás do palco, tendo só depois chegado mais na frente para interagir com Alírio.


Mas, se houve alguma coisa que infelizmente atrapalhou a experiência do show foi o som. O mesmo já não estava muito bom durante as apresentações das bandas anteriores, mas parece que com o Shaman foi pior, ficou tudo muito abafado, fazendo inclusive que ficasse difícil entender as coisas que Alírio falava, e engolindo quase que por completo a guitarra de Hugo.


O próprio Alírio também sofreu um pouco com isso, principalmente após a música "What If?" (que ele toca no piano), quando logo após ele reclamou de não estar se ouvindo.


O show também contou com participações especiais nas duas últimas músicas. Primeiramente, a faixa "Here I Am" teve a participação do vocalista recifense Daniel Pinho (Terra Prima e Antimatter Life), enquanto a saideira "Pride", que tradicionalmente é tocada com convidados (a versão de estúdio conta com a participação de Tobias Sammet, do Edguy e Avantasia), contou com as participações de Thiago Bianchi e Marcelo Braune, vocalistas respectivamente do Noturnall e do Clash Bulldogs, que se apresentaram antes naquela noite.


E sob um grande clima de festa, e com uma humilde roda punk no meio da pista do Clube Internacional, a apresentação do Shaman no Recife chegava ao seu fim.

SETLIST


01 Time Is Running Out 02 Distant Thunder 03 For Tomorrow 04 What If? 05 Fairy Tale 06 Gone Too Soon 07 Reason 08 Turn Away 09 Time Will Come/Ritual 10 The "I" Inside 11 More (The Sister of Mercy cover) 12 The Spirit 13 Here I Am (com Daniel Pinho) 14 Pride (com Thiago Bianchi e Marcelo Braune)


Mesmo não tendo o número de pessoas esperado para um show do Shaman, e com o problema do som, definitivamente essa foi uma noite para ficar na memória, ainda mais considerando o momento de retomada em que estamos vivendo, e também pela nostalgia que o Shaman traz naturalmente, principalmente após a partida precoce de André Matos.


E como eu disse no início do texto, considerando todas as dificuldades que o evento passou desde 2020, o mesmo ter acontecido nesse último dia 8 de maio foi uma grande vitória, independente de tudo.

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