• Mari Goé

Scars From The Last Fight - "Estamos dando 120% de nós para o novo álbum"



-Vamos começar sobre o início da banda, quando e como tudo começou?

GABRIEL HATOUN - Bom, tudo começou por volta do ano de 2006, éramos jovens, molecada de escola mesmo com o sonho de ter uma banda e tocar rock/metal, então começamos, na época os ensaios eram precários, com equipamentos juntados na casa de cada um, para você ter noção o “P.A. de voz” era um som velho que alguém trouxe e a gente ligava aqueles microfones de karaokê para o vocalista rs. Nessa época a formação era outra, contávamos com o Gabriel Hatoun na bateria, Anderson Emídio no baixo e backing vocal e com o Diogo Serra na guitarra e vocal principal e começamos ali onde todo mundo começa, em festivais que rolavam nas quadras das escolas, com gravações precárias, sendo tudo captado diretamente de um ensaio. Bom, seguindo a história, em meados de 2009, com a banda crescendo, tocando cada vez mais, nós vimos a necessidade de ter mais uma guitarra, assim nós convidamos o Emerson Oliveira que já era nosso amigo de longa data, para se juntar a banda, em 2010 reformulamos tudo, desde a formação, como o nome da banda, temas de letras, idioma (passamos todas as letras para o inglês), Emerson Oliveira assumiu o baixo da banda, Anderson Emídio foi para a guitarra, continuando com Gabriel Hatoun na bateria e Diogo Serra na guitarra e vocal principal, e assim nasceu a nova banda, a Scars From The Last Fight, muitos não sabem, mas o nome da banda veio de uma música (The Last Fight) do Bullet For My Valentine, que na época era uma grande influência para nós. No final de 2010 nós finalizamos as composições do que viria a ser nosso primeiro EP, no início de 2011 entramos em estúdio, e em meados de 2011 mesmo, lançamos o primeiro registro da S.L.F., o EP Screenplay, que foi muito bem aceito pelo público, nos rendendo muitos shows, e inclusive tivemos o convite da 272 Records de Los Angeles, para fazermos parte de uma coletânea (Kill City) da gravadora com a faixa título do EP, a faixa Screenplay.


-O último álbum de vocês foi “Scars From The Last Fight”, lançado em 2015, como foi a produção dele na época?

DIEGO CAMARGO - A produção foi totalmente independente e nos orgulhamos muito do resultado apresentado, produzimos um álbum com muita energia e felicidade, foram horas e horas decidindo detalhes e gravando. Éramos uma outra banda, mais jovens e com milhões de ideias a apresentar, só tenho a agradecer os amigos e colaboradores por nos ajudar na realização deste álbum.


GABRIEL HATOUN - Complementando a resposta do Diego, foi um processo onde a gente se doou completamente passávamos horas fazendo edição de bateria, encontrando timbres legais, procurando uma distorção e peso paras guitarras, pensando nas linhas de baixo para acompanhar as bateras, alinhando as vozes, colocando backing vocals, a única coisa que foi gravada em estúdio, foi a bateria, todos os outros instrumentos e vozes foram gravados no nosso estúdio, na época o nosso baixista, Emerson Oliveira, estava estudando muito sobre produção, mixagem, então decidimos fazer tudo nós mesmos. Foi muito exaustivo, porém quando finalizamos tudo, me lembro até hoje, todos nós sentados na sala da casa do Emerson, escutando o disco todo, eu só conseguia pensar: Eu não acredito que conseguimos chegar nesse resultado, ficou incrível! Sim, para uma produção completamente independente, não tínhamos experiencia nenhuma, ficou incrível.


-Quais são as principais influências da banda na hora da composição? O que inspira vocês na criação os temas das letras?

GUS SOUZA - Depende muito do momento em que estamos compondo. Desenvolvemos aos poucos as ideias que nos vêm à mente na hora. Posso chegar no ensaio com um riff pronto que compus sozinho e fazemos uma música inteira ao redor deste riff, ou então alguém diz "acho que nos falta uma música no estilo 'x' de 'tal' banda", e aí procuramos e experimentamos ideias que nos deixem próximos da sonoridade que queremos.

E estas ideias brotam das nossas diferentes influências do momento, sendo elas normalmente bandas grandes que são referência no mundo todo, e de artistas que temos ouvido recentemente, nem sempre sendo da esfera do metal. Muitas ideias de ritmo que eu aplico nos riffs e apresento na hora de compor surgem daquele tipo de coisa que você ouve "por osmose" na rua, no rádio, na TV, mas grudam na memória! Tento pegar os detalhes interessantes de estilos que não sou tão aprofundado (desde samba e música caipira à trap e música eletrônica) e colocar uma cara de metal e agressividade para se tornar uma legítima música da Scars From The Last Fight.


DIEGO CAMARGO - Não poderia deixar de citar 4 bandas que fizeram parte da minha essência musical, seriam elas Avenged Sevenfold, Lamb of God, Hatebreed e Disturbed. Depende do nosso processo de composição, as vezes criamos algo com a intenção de uma letra planejada, um tema conversado anteriormente pela Banda e partimos deste ponto a composição melódica e rítmica, porém no processo de composição do nosso novo álbum, estamos trabalhando de maneira um pouco diferente, deixando nossas imaginações tomarem as formas melódicas e rítmicas, tomando corpo naturalmente com nossas essências misturadas, assim após o projeto da música estar pronto para receber uma letra, analisamos em conjunto os sentimentos que a composição transmite e acordamos em conjunto o que a música nos pede para falar.


JANDERSON ANDRADE - Eu ouço muita coisa variada no cenário rock alternativo, metal, metalcore e etc. Normalmente o processo de composição vem de riffs e idéias levadas pelos caras nos ensaios. O Gustavo sempre vem com algo que nunca ouvi na vida! Isso facilita muito na hora de compor, pois nos da liberdade de criar e testar e coisas sem ficar preso em um seguimento único.. Acho que esse é o segredo das músicas da Scars.. sempre testando coisas novas mas sem perder a pegada e essência dos últimos trabalhos. Praticamente temos a liberdade para criar, o que torna o processo muito tranquilo e inspirador..


-Em 2012 vocês lançaram a música “Walking Dead”, inspirada na série The Walking Dead, como surgiu a ideia da música e como foi o feedback da galera?

GABRIEL HATOUN - Bom vamos lá, na época a série estava bombando, e todos nós da banda éramos muito fãs (eu ainda sou), nós ficávamos ansiosos para assistir os novos episódios, comentávamos entre nós, então estávamos em um ensaio compondo um som novo (o que viria a ser a faixa Walking Dead) e o antigo vocalista, Diogo Serra, trouxe a ideia, a gente já pirou, vamos fazer, então nós pegamos tudo o que sentimos com relação a série e transformamos em letra e demos o nome da música de Walking Dead. Quando nós a lançamos, o nosso público pirou, muitos canais ligados a série divulgou a música, assim trazendo novos fãs pra banda, foi incrível. Tem um fato muito curioso, não me lembro a data exata, eu sei que eu estava dormindo e meu celular tocou por volta de uma 3 da madrugada, era o Diogo me ligando e gritando no telefone, “mano acorda, abre o seu twitter”, eu falei pra ele, cara você está louco, são 3 da manhã, bom, levantei da cama, liguei o computador e abri meu twitter, eu não sei como, mas a música chegou no ator da série, Norman Reedus, que interpreta o Daryl Dixon, e ele fez uma postagem no twitter dele com o nosso site e divulgando a música, meu, aquilo foi surreal, nós trocamos algumas mensagens com ele pelo twitter, chegou até a rolar uma especulação sobre a faixa fazer parte da trilha sonora da série, mas não passou disso, seria incrível se a música tivesse entrado.


-A banda está em processo de criação de um novo álbum, certo? O que vocês já podem adiantar para nós?

DIEGO CAMARGO - Sim, após um período complicado perante a COVID19, estamos retomando os processos do novo álbum. Acredito que vamos apresentar os melhores trabalhos da Scars from the last fight, estamos dando 120% para o novo álbum, em relação as letras, transtorno de personalidade, proteção do meio ambiente e depressão são alguns temas trabalhados nesse álbum. Um metal pesado e consistente, moderno e com a cara da S.L.F., sem dúvidas estamos realmente ansiosos para o lançamento.


GUS SOUZA - Sim! Estamos ansiosíssimos pra lançar nosso trabalho novo, pois muita coisa já estava pronta antes do mundo parar em 2020, mas tivemos praticamente todo o processo interrompido. Passou-se tanto tempo que já temos fome de compor de novo, mas precisamos focar no atual lançamento, pois ainda faltam etapas importantes! Este álbum será bem diferente do anterior, tanto por conta dos novos integrantes que participaram da composição (como eu!), quanto pelo fato de termos analisado e revisado constantemente as composições, para refinar tudo e entregar um trabalho maior do que só uma coletânea de músicas legais. Ainda não temos nomes oficiais das faixas, mas só por algumas faixas-guia de pré-produção se chamarem "Papaléguas" e "Profecia", dá pra ter uma noção do que fizemos... ou não! Fica pra imaginação da galera!


-Pra vocês, qual foi a maior dificuldade que vocês passaram com a banda?

GABRIEL HATOUN - Eu acho foi a maior dificuldade foi no inicio da banda, nós não tínhamos equipamentos descentes, não tínhamos um local legal pra ensaiar, era tudo meio que improvisado sabe, mas tivemos muita garra e vontade de fazer aquilo acontecer, os primeiros shows fora da nossa cidade foram muito complicados, nós somos do litoral norte de São Paulo, então pra ir tocar na capital é uma viagem de 2 horas e pouco, não tínhamos carro, tínhamos que alugar uma van pra poder levar os equipamentos, fora a grana que se gasta e ainda tínhamos cota de ingressos pra vender, só assim poderíamos tocar, várias vezes por sermos de longe, não conseguimos vender todos ingressos, primeiro pela distância, segundo porque a van ia lotada de equipamentos, mais todos nós da banda, então não sobravam muitos lugares, a gente tirava grana de onde não tínhamos pra poder cobrir o valor e assim poder fazer o show. Quantas e quantas vezes tive que pedir grana emprestada pro meu pai e pra minha mãe por conta disso rs, foi um período complicado, mas era divertido, nós éramos moleques com fome de tocar, e fizemos acontecer.


-Em 2012 vocês conseguiram participar do programa Showlivre Day, como foi a experiência?

GABRIEL HATOUN - Foi uma experiência incrível, nunca tínhamos feito nada parecido, então o nosso vocalista, na época o Diogo Serra, nos inscreveu, participamos de uma votação online e acabamos entrando, eu sei que fomos lá e demos 200%, e ainda fizemos o show com uma guitarra só, porque o Anderson estava no trabalho e não pode ir, e aí nós teríamos que escolher uma das músicas que gravamos no Showlivre Day para entrar em uma nova disputa e a banda que tivesse mais visualizações ganharia o Estúdio Showlivre exclusivo, pois dito e feito, ganhamos com a banda mais visualizada e assim tivemos o Estúdio Showlivre exclusivo, dentro do programa fizemos o lançamento do clipe da faixa Walking Dead, foi sensacional, fora que assim, no Showlivre Day a gente tinha a obrigação de fazer um cover inusitado, nós fizemos uma versão da Gangnam Style, um tempo depois do Showlivre Day a gente tocou em Santo André/SP em um evento voltado para anime, e acabamos tocando essa versão, no evento estava lá um cara que fazia o sósia do Psy, ele subiu no palco, fez as danças rs, foi sensacional, quando fomos para o Showlivre exclusivo, pensamos, porque não tocar né? Acabamos tocando de novo essa versão e chamamos o Psy cover pra ir lá com a gente, mais uma vez foi sensacional e nos rendeu a capa do site MSN.COM com uma matéria exclusiva sobre a nossa versão metal para a Gangnam Style.



-Quais os planos da banda para os próximos meses?

GUS SOUZA - Nosso atual foco é o lançamento deste próximo álbum, e tocar pros nossos fãs! Todos da banda são apreciadores de experiências ao vivo, e gostamos de dar essa experiência pros fãs também. A troca de energia do show é o que nos motiva a continuar fazendo música, é onde todo o trabalho como banda encontra seu sentido.


DIEGO CAMARGO - Podemos adiantar que para os próximos meses teremos um novo single lançado nas plataformas, para mostrar um pouco da cara da Scars from the last fight em seu retorno. Um som que sem dúvidas vai ficar no repeat de sua playlist.


-Estamos finalizando a entrevista, gostariam de mandar um recado para a galera?

GABRIEL HATOUN - Gostaríamos primeiramente de agradecer imensamente ao canal Bloody Mary pelo espaço, foi um prazer para nós da Scars From The Last Fight responder essa entrevista. Gostaríamos de agradecer demais a galera que segue a banda e que interage com a gente nas redes sociais e podem ter certeza que em breve teremos muitas novidades, shows, lançamentos, merch e muito mais, e pra quem ainda não conhece a banda, nós convidamos a todos para entrar em nosso site www.scarsfromthelastfight.com lá tem o clipe da música T I M E L E S S lançada em 2018, tem um player com o CD completo de 2015, tem também o EP “Screenplay”, entrem lá, conheçam a banda, estamos também em todas as plataformas de streaming, Spotify, Deezer, Apple Music e muitas outras, sigam a gente no Instagram, Facebook, se inscrevam no nosso canal do Youtube e é isso aí, um grande abraço a todos, e nos vemos na estrada!


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