• Mari Goé

Primatron: "O espírito do Primatron é o de fazer música catártica que reflita o espírito do tempo"



O Primatron é um projeto curitibano de metal cuja sonoridade não se deixa limitar a apenas um estilo ou subgênero, ela flui naturalmente entre o metal industrial com nuances de metal extremo, sendo um projeto que tem como objetivo sempre criar músicas com uma atmosfera que reflita o clima angustiante de se viver em um tempo de crises constantes.


O mais novo lançamento da banda é "Locomotive", single que pode ser ouvido aqui: https://primatron.hearnow.com/


Confiram uma entrevista exclusiva com Diogo, responsável pela banda!


-Conte como começou o projeto, e como surgiu a ideia para o nome Primatron!

R.: Antes de mais nada, obrigado pela oportunidade desta entrevista! O projeto se iniciou com alguns riffs que eu já tinha composto há tempos atrás, alguns dos quais já haviam até sido apresentados a outros projetos de que participei, como Machina Animata e Shadow Maze. Durante a pandemia tive tempo de trabalhar em mais riffs, compor músicas e começar a elaborar algumas letras, o que levou agora em 2022 a finalmente gravar as faixas que compõem o EP “Night Falls Heavy”.

O nome Primatron, por sua vez, surgiu enquanto lia notícias sobre tecnologia em um jornal, não lembro qual. A interdependência entre homem e máquina, que ficou cada vez mais clara pra mim à medida que gravava o EP, deu essa ideia de pensar um nome que refletisse uma certa angústia com esse processo de nos tornarmos cada vez menos autônomos em relação à tecnologia.


-O primeiro trabalho a ser lançado foi o EP “Night Falls Heavy”, conte como foi a produção dele, quando tudo começou, como foi todo o processo?

R.: No começo de 2022, quando já tinha algumas músicas quase prontas e por sugestão de Eduardo Forville, baixista do Urvolk, resolvi começar a gravar. Entrei em contato com o Aly Fioren, guitarrista do próprio Urvolk, do Carttada e do Sad Theory, que é dono do Funds House Studio. Todas as músicas até aqui foram gravadas no estúdio dele, com produção dele, e vou aproveitar aqui pra destacar como é fluida a produção com ele. Um ótimo produtor, especialista em música pesada.

Temos conseguido render bem nas sessões de gravação, o processo tem sido muito rápido. E estou totalmente contente com o produto final. Os timbres estão bem adequados ao som que tenho em mente, as estruturas das músicas, tudo. Tento fazer músicas com melodias que marquem o ouvinte, mas sem parecerem óbvias ou descartáveis após poucas vezes ouvidas.


-Com relação a sonoridade de suas músicas, as influências foram vindo naturalmente no processo ou você já havia um estilo de música bem posicionado para seguir durante suas criações?

R.: As influências têm vindo naturalmente, sem forçar. Acho que isso dá uma sensação de fluidez à audição das músicas, torna algo mais prazeroso de se curtir. Mas, como sei que minha voz tende bastante para o grave, uma referência que tive foi o Till Lindemann, do Rammstein. Não tento fazer melodias semelhantes a ele, mas o timbre talvez algumas vezes o lembre. E sempre gostei muito de Megadeth, então alguns riffs também podem lembrar um pouco essa influência. Paradise Lost é outra referência que tenho e que acredito ter transparecido em alguma medida.



-E o que te inspira na composição das letras da banda?

R.: Passei por um período difícil nos últimos anos, em que minha mãe sofreu com problemas de saúde, perda de memória e veio a falecer em 2021. Isso me levou a reflexões sobre a vida que vieram a se materializar na letra de “Adrift”, que é provavelmente minha música preferida no EP. Também bebi demais nesses anos, algo que só controlei entre o ano passado e este, e isso levou à letra de “Hiding in the Cellar”.

Quanto às outras letras, gosto muito de acompanhar o noticiário, e não vejo de forma positiva a situação do mundo hoje no que toca relações de trabalho, relações entre as classes sociais, preservação do meio ambiente, enfim, não vejo boas perspectivas para a humanidade hoje ou a longo prazo. Isso se reflete principalmente em “Unrest”, mas também em alguma medida em “Uses of Time”.


-Seu próximo lançamento será “Locomotive”, um novo single. Fale um pouco sobre essa música. Você sente alguma diferença entre este novo single e o seu EP anterior?

R.: Sinto uma diferença na maturidade da composição, em especial. “Locomotive” tem uma coesão muito forte entre as diversas passagens, além de ser muito áspera e bem pesada. À medida que se adquire prática em estúdio, alguns aspectos da gravação se tornam mais fáceis e podemos focar em outros. Acho que isso fica perceptível nas melodias vocais, na complexidade dos riffs da estrofe, nas mudanças de andamento... Acho que todo músico acredita que sua criação mais recente é sua melhor até aquele ponto, então sou suspeito pra afirmar isso. Mas mesmo assim vou dizer, é a melhor música do projeto Primatron até aqui. E acho legal que essa música mostre que peso e agressividade estão nos riffs e não dependem só de afinações muito graves.



-Esses trabalhos foram produzidos durante a pandemia? Qual foi a maior dificuldade que você encontrou até agora como músico?

R.: As composições foram feitas em boa parte na pandemia, sim. Imagino que muita gente tenha composto muito durante a pandemia, sem poder se apresentar ou mesmo sair muito de casa. A gravação, no entanto, foi toda feita em 2022, depois da campanha de vacinação já estar em pleno andamento.

Acho que uma das maiores dificuldades para qualquer músico é a divulgação do seu trabalho. Mesmo comparando a compor, produzir e gravar, divulgação é a parte difícil. E nesse aspecto, é ótimo ter novas mídias pra podermos divulgar nosso trabalho, oferecer ao público o acesso a novos artistas e novos álbuns. Fico feliz por estar produzindo neste momento, em que se tem essa possibilidade para divulgação.


-Qual a essência do Primatron? Qual o espírito do projeto?

R.: Primatron é um projeto que se dedica ao metal, combinando diversas influências vindas de todos os seus subgêneros, com o objetivo de sempre criar músicas com uma atmosfera que reflita o clima angustiante de se viver em um tempo de crises constantes. O espírito do Primatron é esse, de fazer música catártica que reflita o espírito do tempo.


-Quais são os próximos planos do Primatron?

R.: Após o lançamento de “Locomotive”, o próximo single do Primatron se chamará “Broken”, programado para dezembro. Enquanto Locomotive aborda frontalmente a relação entre a população em geral e a apropriação da nossa renda pelo sistema financeiro, Broken abordará algo mais existencial, com nuances de desesperança e desejo.

Novamente, obrigado pela oportunidade! Stay heavy!


Mais informações sobre o Primatron no site oficial: https://www.primatron.net/


aa43c293-5edd-4c6d-89ed-17bdf0b2ce2e.jpg