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  • Foto do escritorRenan Soares

Paul Di'anno, Noturnall e Electric Gypsy se apresentam para casa cheia no Recife


Muito se aguardava a respeito do show de Paul Di'anno no Estelita, em Recife, nesse último dia 28 de janeiro, não apenas pela importância histórica que o vocalista tem no Heavy Metal, pelo mesmo ter sido a voz do Iron Maiden nos dois primeiros álbuns da banda (o "Iron Maiden" e o "Killers", de 1980 e 1981 respectivamente), mas também por conta dos problemas ocorridos no primeiro show da turnê em Fortaleza, realizado na noite anterior.


Segundo relatos das pessoas que foram ao show na capital cearense, Paul D'ianno, que recém se recuperou de uma cirurgia, por pouco não precisou amputar uma das pernas e está se apresentando em uma cadeira de rodas, demonstrou estar longe do seu melhor fôlego para fazer shows, além de diversos problemas técnicos que afetaram a performance do músico, e também o "mau preparo" dos músicos de apoio (no caso, os integrantes do Noturnall e Electric Gypsy) na execução das músicas.


E por conta disso, muito se questionou nas redes sociais se estaria sendo prudente por parte de todos os envolvidos (tanto o próprio Paul D'ianno quanto a editora/produtora Estética Torta) realizar uma turnê de 31 datas em menos de 2 meses com o vocalista na condição de saúde em que está, com mais de 60 anos de idade. Bom, sobre essa parte darei meus 2 centavos de contribuição ao final do texto.


Antes de tudo, apesar da principal atração da noite ser um britânico, a "pontualidade" tão característica da nacionalidade em questão passou longe. De início, estava previsto que o evento se iniciasse às 19:45, tendo a banda mineira Electric Gypsy subido ao palco do Estelita apenas às 21h. A boa notícia é que pelo menos a abertura dos portões foi realizada na hora certa, tendo todos conseguido entrar na casa sem maiores dificuldades (principalmente levando em consideração o burocrático protocolo de entrada do Estelita).


Pelo menos, a demora para o início dos shows permitiu que o público chegasse em peso no Estelita (os ingressos esgotaram na fila do show), com isso, o Electric Gypsy, que fazia ali sua primeira passagem na capital pernambucana, pôde sentir o calor do público recifense de forma intensa.



Confesso que não tinha parado para procurar a respeito da banda antes do show, então qualquer coisa que eu visse naquele momento seria uma completa surpresa, E posso dizer que fui positivamente surpreendido, o quarteto mostrou um som bastante competente cheio de referências oitentistas, não apenas musicalmente como também na parte visual.


O vocalista Guzz demonstrou ser um excelente frontman, além de também ser um vocalista bastante técnico, se utilizando bastante do estilo Axl Rose (no auge da carreira, claro) de cantar.



Era perceptível que a maioria dos presentes não conheciam muito bem o trabalho do quarteto de Belo Horizonte, mas isso não impediu de todos curtirem e cantarem junto com a banda.


Além do seu trabalho autoral, o grupo também executou alguns covers, sendo esses das músicas "Hot For a Teacher" do Van Halen, "Shoot To Thrill" do AC/DC, e "Heaven And Hell" do Black Sabbath.



A noite mal tinha começado e o público já estava bem quente, e ainda bem, as coisas iriam esquentar ainda mais (de forma positiva) com a apresentação do Nortunall, liderado pelo carismático Thiago Bianchi, e que traziam de volta (mesmo que temporariamente) o guitarrista Leo Mancini para a formação (na ausência do americano Mike Orlando).



O Noturnall chegava a Recife divulgando o novo álbum "Cosmic Redemption", que já estava disponível para venda física no merchan da banda.


Apesar do set curto, a escolha das músicas foram a mais acertada, focando em um show bem enérgico e pesado, tendo também todos os álbuns da banda sido contemplados no setlist de 9 músicas, isso sem falar na presença de palco do Thiago Bianchi que da todo um diferencial.



Um dos momentos "curiosos" da noite foi ao fim da execução da música "Fight The System", onde o Bianchi mandou todos os políticos irem se foder, o que fez um pequeno grupo de pessoais entoarem xingamentos ao atual presidente da república, e para manter os ânimos acalmados da plateia, Thiago fez questão de dizer que nenhum político presta e mandou todos esses irem tomar naquele lugar.


Além das músicas autorais, o Noturnall também executou dois covers, sendo o primeiro da música "Thunderstruck" do AC/DC, e o segundo de "O Tempo Não Pára", de Cazuza, música essa que recentemente a banda lançou uma versão com a participação especial de Ney Matogrosso, onde Thiago acabou se perdendo um pouco na letra, mas acontece nas melhores famílias.



E durante a execução de "O Tempo Não Pára" tivemos uma cena lamentável por parte de um pequeno grupo de babacas que estavam no meio da pista, que passaram a música toda fazendo gestos obscenos para Thiago Bianchi e entoando ofensas homofóbicas, apenas porque Bianchi cometeu o "absurdo" de tocar uma música do Cazuza em um show de metal.


Mas felizmente Bianchi foi bastante elegante ao responder a esses otários dizendo "que isso pessoal, só desejo amor para vocês".



E ao som de "Nocturnal Human Side", com Thiago Bianchi indo pra galera, o Nortunall encerrou sua curta apresentação com os ânimos lá em cima. E dando a opinião de uma pessoa que já presenciou três shows da banda (contando com esse), essa foi definitivamente a melhor performance do Noturnall que tive a oportunidade de presenciar.


SETLIST


01 Try Harder 02 No Turn At All 03 Fight The System 04 Wake Up! 05 Thunderstruck (AC/DC cover) 06 Reset The Game 07 Scream For Me! 08 O Tempo Não Pára (Cazuza cover) 09 Nocturnal Human Side


Então era chegada a hora mais esperada da noite, quando Paul D'ianno, a primeira voz oficial do Iron Maiden, finalmente subiu ao palco do Estelita, acompanhado pelo Noturnall (com exceção do Thiago Bianchi), e do guitarrista Nolas, do Electric Gypsy.


E nessa hora, diante de um Estelita entupido de gente, foi constatado um problema o qual o velho Paul não tem nenhuma culpa, mas que foi perceptível quando o mesmo chegou, principalmente pelo pessoal que estava nas fileiras de trás, já que foram esses que tiveram dificuldade de conseguirem ver o vocalista, por conta do fato do palco da casa ser muito baixo e o mesmo ter se apresentado em uma cadeira de rodas.



Após esse que vos escreve ter reclamado a respeito disso em suas redes sociais, o Estelita respondeu dizendo que por se tratar de um evento que não foi organizado pela casa, e sim pela produtora que alugou o espaço, a responsabilidade pelo mapa de palco não era deles, e que avisaram sobre como remediar a questão do palco baixo para eles.


Com isso, deixo esse toque para a produtora/editora Estética Torta se ligar nesse detalhe nos próximos shows, já que seria simples colocar uma elevação no palco para que todos conseguissem ver o velho Paul, até porque não conseguir ver claramente a principal atração da noite certamente deve ter estragado um pouco com a experiência de muitos que estavam presentes.



Antes de iniciar a apresentação de vez, Paul comentou rapidamente sobre os problemas ocorridos no show de Fortaleza (coisa que o Noturnall também fez durante seu show) prometendo dar o seu melhor naquela noite, na medida do possível, abrindo a festa ao som de "Wrathchild".


Certamente, o Estelita nesse momento efervesceu que nem um caldeirão, com todo mundo cantando as músicas junto com o velho Paul em uma só voz, que não cantou seus dois álbuns com o Maiden na íntegra, mas fez um bom compilado de 13 canções.


O público estava bastante animado e isso é ótimo, fez com que o show fosse bastante enérgico, animação essa que em um momento fez uma pessoa acabar esbarrando no pé ruim de Paul, o que fez a produção parar o show por um momento parar dar uma bronca no público, pedindo para que eles não fizessem roda punk próximo do palco para evitar bater na perna ruim de Di'anno.



O que me faz chamar a atenção em relação a outra coisa que a produção provavelmente não pensou, que era por uma grade entre o palco e o público, que já é algo importante para impedir que os fãs invadam inapropriadamente, e naquela ocasião seria ainda mais importante para proteger o Paul, que já estava em uma situação debilitada. E o fato do Estelita ser uma casa pequena não é desculpa para a falta do equipamento em questão, já vi vários shows ocorrerem no local, tanto de bandas de mais renome e outras nem tanto, em muitos eu já vi colocarem uma grade entre o palco e a plateia.


Em relação a performance do Paul Di'anno, foi muito ver que eles estava bem enérgico e animado mesmo na condição em que estava. Certamente, em comparação ao que foi relato a respeito do show de Fortaleza, naquele noite em Recife ele já estava muito melhor, com a voz saindo bem mais redondinha. Mas ainda era perceptível que o fôlego lhe faltava em muitas ocasiões, tendo em alguns momento ele sido puxado para parte de trás do palco para descansar um pouco.


E a respeito da banda de apoio, que tanto foi criticada pela performance na noite anterior, dessa vez parecia estar bem mais afiada, tendo apenas uns errinhos ou outro, mas nada que atrapalhasse a apresentação como um todo.


E momento inesperado da noite foi quando o velho Paul soltou um grito em favor ao presidente Lula, o que fez boa parte do público o ovacionar (certamente, os poucos que xingaram o atual presidente na ocasião anterior da noite devem ter ficado bem 'magoados' hehe).


Após praticamente uma hora de apresentação, Paul encerrou a sua segunda passagem pelo Recife (ele já havia se apresentado na capital pernambucana nos anos 90) ao som de "Running Free", onde foi perceptível o seu cansaço principalmente no fim da música.


SETLIST 01 The Ides of March 02 Wrathchild 03 Sanctuary 04 Purgatory 05 Drifter 06 Murders in the Rue Morgue 07 Remember Tomorrow 08 Genghis Khan 09 Killers 10 Charlotte The Harlot 11 Transylvania 12 Phantom Of The Opera 13 Running Free


Os fãs do Maiden que vivenciam a cena recifense de 2009 para cá, podem dizer com orgulho que viram as três vozes do Iron Maiden se apresentarem na Veneza Brasileira (Blaze se apresentou por aqui em 2010, e o próprio Iron Maiden com Bruce Dickinson passaram pela capital pernambucana em 2009 e 2011).


Certamente, a noite do dia 28 de janeiro foi bastante memorável para os headbangers recifenses, abrindo a agenda de shows de 2023 com chave de metal, e para quem esperava uma apresentação desastrosa, certamente pagou com a língua.


Mas, ainda assim a pergunta que não quer calar é: é prudente alguém na condição em que o Paul Di'anno está, passar por uma turnê tão longa e corrida como essa que ele está realizando no Brasil?


Bom, aqui vai meus dois centavos de contribuição: eu acho bastante arriscado, uma turnê de 31 datas em menos de dois meses já é algo pesado para alguém em seus 20 e poucos anos com a saúde plena, imagina para um senhor de 64 anos com a saúde toda debilitada como é o caso de Paul Di'anno.


Claro, percebe-se que o velho Paul está se esforçando ao máximo e quer fazer isso, mas está claro que a sua condição de saúde o está limitando bastante, e sinceramente, houve um momento no show de Recife que achei realmente que ele estava passando mal (isso porque a turnê ainda está no início).


E ele pode está se esforçando para isso dar certo, mas há vários registro do Paul fumando e bebendo mesmo estando na condição em que está, o que certamente não deve ajudar na sua condição física nem um pouco.


Eu torço bastante para que ele consiga terminar essa turnê até a última data, longe de mim querer que dê errado, mas também não ficarei surpreso se em algum momento surgir a notícia de que a tour foi suspensa porque Paul passou mal.


Imagino que o cara deve amar tanto o que faz, que faz questão de fazer mesmo estando todo fodido, mas uma coisa é fato, se ele se manter nesse ritmo, uma hora a vida cobra, e dependendo pode até cobrar caro. Vimos isso acontecer em 2015 com o saudoso Lemmy Killmister, que mesmo cancelando shows constantemente por conta das suas idas e vindas no hospital, seguiu em turnê com o Motörhead até o seu último dia de vida.


Se eu pudesse dar um conselho de amigo pro velho Paul, eu diria para que depois que ele encerrasse a atual turnê no Brasil, ele voltasse pra Inglaterra e passasse no mínimo um bom tempo descansando com a família, até porque ele já contribuiu com a cena de uma forma que poucos vão conseguir na vida, e isso ninguém irá tirar dele.


(N.R: Estou pondo esse adendo após ler a entrevista dada pelo produtor Eliel Vieira, que está a frente da turnê do Paul Di'anno no Brasil, ao site do jornalista Igor Miranda. Segundo Eliel, após Paul deixar a Croácia, onde estava sendo tratado, ele passou 9 dias na Inglaterra completamente desassistido, o que fez sua condição piorar, ocasionando também uma parte dos problemas que foram relatados no show de Fortaleza. E também declarou que o vocalista está sendo melhor cuidado aqui no Brasil do que quando estava em casa na Inglaterra. Confiram o texto completo aqui)

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