top of page
  • Foto do escritorRenan Soares

Michale Graves: entrevista com o ex-vocalista do Misfits


No próximo dia 03 de dezembro (sábado), o cantor americano Michale Graves, conhecido por ter feito parte dos Misfits entre os anos de 1995 e 2000, retornará para São Paulo trazendo a segunda parte da "American Monster Tour", onde o vocalista apresentará na íntegra os álbuns "American Psycho" (1997) e "Famous Monster" (1999), álbuns gravados quando o mesmo estava a frente do microfone dos Misfits.


O show irá ocorrer no Carioca Club, localizado no bairro de Pinheiros, a partir das 17h, com a abertura da banda Furia Inc. Todas as informações sobre valores de ingressos e onde comprar vocês podem encontrar nessa matéria. Essa será a única apresentação do músico pelo Brasil na atual turnê.



E para falar sobre o show do próximo sábado, Michale Graves concedeu entrevista para o Canal Bloody Mary falando não apenas das expectativas para a apresentação, mas também de possíveis futuros trabalhos, e da polêmica envolvendo a sua última passagem pelo país em 2019, onde ele abandonou a turnê no meio por conta de desentendimentos com a produtora na época.


Canal Bloody Mary: O que os fãs podem esperar do show do dia 3 de dezembro, em São Paulo?


Michale Graves: Como sempre, eu darei todo meu coração a todos enquanto toco o “American Psycho” e o “Famous Monster”, dois álbuns fenomenais que gravei com os Misfits anos atrás, terei ótimo músicos tocando comigo, e será uma ótima noite com todos cantando juntos, dançando, e será uma grande celebração das nossas vidas através dessas músicas.


Canal Bloody Mary: Como surgiu a ideia de iniciar uma turnê tocando as suas músicas da época dos Misfits?


Michale Graves: Veio de pessoas que normalmente me pediam nos meus shows, e nos meus sets normalmente canto “Dig Up Her Bones”, “American Psycho”, e algumas músicas antigas dos Misfits. Mas havia tanto desejo de ouvir essas músicas, porque essas músicas significam tanto as pessoas, esses álbuns ainda são tão relevantes, que havia uma grande demanda por isso. Então pensei “deixa eu mostrar para as pessoas que ainda consigo cantar esses álbuns em um alto nível”, surgindo assim a American Monster Tour, que obviamente é o “American Psycho” e o “Famous Monster” tocados na integra, então ainda acho que consigo cantar esses discos tão bem quanto eu era mais jovem. E esse é um grande momento de celebrar nossas vidas com essas músicas.



Canal Bloody Mary: Você espera que um dia você consiga realizar uma turnê do tipo tocando com seus ex-companheiros do Misfits?


Michale Graves: Espero que alguém tenha essa ideia em algum momento, porque eu adoraria ter a oportunidade de tocar com Jerry e Doyle de novo. Claro, os fãs iriam amar isso acima de tudo, e para mim pessoalmente seria incrível tocar com eles de novo, eu sinto falta deles musicalmente. Adoraria que isso acontecesse, e espero que um dia aconteça.


Canal Bloody Mary: Quando você anunciou a “American Monster Tour”, ocorreu um problema judicial com os representantes dos Misfits, como está essa história no momento?


Michale Graves: Eu entendo a defesa da propriedade intelectual, eu realmente entendo, foi como um cachorro latindo quando chega muito perto da cerca, e eu respeito isso. O que aconteceu foi que os Misfits não queriam que ninguém se confundisse de que eu estava nos Misfits, ou que pensassem que eu estava representando os Misfits de alguma maneira, ou que eles tinham algo a ver com isso, então pensei “ok, está bom”. Eu ando no mundo tentando ser, e eu acho que eu sou, o melhor representante daquela música daquela época. Jerry, Doyle e Glen representam os Misfits originais de 1977 até os anos 80, e beleza! Mas minha era foi diferente, obviamente, foi especial e tão relevante quanto, e não estou tentando causar danos no nome ou no legado dos Misfits, na verdade sempre estou colocando em um pedestal e levando a música adiante. Então está tudo ok por agora, não recebi nenhum contato de advogados recentemente (risos), pelo menos não por parte deles.



Canal Bloody Mary: Queria falar um pouquinho da sua última turnê no Brasil em 2019. Você não precisa dar detalhes sobre o que aconteceu entre você e a produtora da época se não quiser, mas como você deve imaginar, muitos fãs ficaram bastante decepcionados com toda aquela situação. Você acha que isso pode afetar o próximo show de São Paulo de alguma forma?


Michale Graves: Antes de tudo, eu continuo pedindo desculpas para todos os fãs afetados e que ainda estão bravos, eu entendo, no fim eu assumo a minha parte da responsabilidade nisso, e realmente sinto muito. Continuo trabalhando o meu melhor tentando arrumar um jeito de compensar todos, e serei o primeiro a me voluntariar. O que aconteceu é que eu espero um nível de profissionalismo com a minha banda, e eu faço isso há quase 30 anos, então não foi minha primeira vez em turnê, então espero que certos tipos de coisas aconteçam, e que não estavam acontecendo naquela turnê, não fazia a menor ideia de onde estávamos indo, não havia direcionamento, tinha cocaína sendo usada por pessoas que tinham que tomar decisões e planos, minha comunicação com esse pessoal não estava acontecendo, ninguém falava comigo, foi difícil de trabalhar. Estávamos constantemente mudando, a agenda era completamente desconhecida e arruinada. Em um momento quando chegamos na turnê, parte da banda, incluindo eu, ficamos bastante doentes, a ponto do show na Colômbia, eu precisei receber oxigênio entre as músicas, e eu acho que iria sair de lá de cadeira de rodas com aquele oxigênio, eu estava muito mal. Chegou em um ponto que as coisas estavam completamente fora do controle e parecia que eu estava sendo usado como uma máquina, havia coisas estranhas acontecendo com o dinheiro, então tomei a decisão de ir para casa. A história que foi contada, do jeito que as coisas rolaram foi bem louca, mas eu tomei a decisão de ir para casa e tirar minha equipe dali, porque não era mais uma situação que eu queria estar. Eu tenho uma família, tenho filhos a quem voltar, não estou fazendo joguinho, não estou na estrada para usar cocaína, encher a cara, ir atrás de mulheres e farrear, e simplesmente cagar para uma agenda e ficar “é assim que a coisa acontece”, não é como eu trabalho. Haviam travessuras por todo o lugar, então me tirei daquela situação e encerrei a turnê, e realmente peço desculpas por isso.


Canal Bloody Mary: Confesso que eu sou um dos fãs que iria para uma das datas canceladas, e fiquei bem desapontado com toda essa situação.


Michale Graves: Eu realmente me senti como um animal morto na rua e todos estavam tirando um pedaço de mim, foi como se eu tivesse aberto o capô do carro e estava tudo uma bagunça, e estavam todos tirando um pouco de dinheiro, tudo estava fora de controle. Realmente sinto muito porque eu sei que decisões do tipo afetam as pessoas. Eu sei que teve pessoas guardando dinheiro bastante ansiosas pelo show, eu sei que não é besteira, e essa é a benção disso tudo, porque é uma grande coisa, e por isso realmente peço desculpas a você e a todos os afetados.


Canal Bloody Mary: Há alguma chance de você retornar ao Brasil futuramente para realizar os shows que foram cancelados daquela turnê?


Michale Graves: Eu adoraria, e continuarei trabalhando para isso com a agência que me representa agora e com os compradores e produtores do Brasil. Amaria conseguir fazer algo do tipo, e coordenar algo, poderia ser um show gratuito ou algo assim. Poderemos ter ideias de como fazer, mas claro que eu faria isso.


Canal Bloody Mary: Além da sua carreira no Misfits, você também tem seu trabalho solo. Há alguma chance das músicas da sua carreira solo também serem comtempladas nessa turnê?


Michale Graves: A única coisa que impediria isso é que os músicos que estarão comigo só pegaram as músicas do “American Psycho” e do “Famous Monsters”, acho que talvez eles saibam um pouco dessas outras músicas, mas eles só praticaram tudo que iremos tocar nas últimas duas semanas. Mas daqui que a gente chegue para vocês nessa turnê teremos certamente algumas surpresas para todos.



Canal Bloody Mary: Há algum trabalho inédito nos seus planejamentos?


Michale Graves: Bom, acabei de lançar um semi-EP chamado “Boxcar Headed East”, e escrevi uma música com o mesmo nome. Você pode encontra-lo no Spotify, Amazon, Apple, e todas as plataformas digitais. Pete Parada, ex-Offspring, fez a bateria nesse trabalho. Mas sim, definitivamente tenho intenções de lançar novas músicas, acabei de lançar um clipe novo no meu canal do Youtube, estou escrevendo filmes e programas de episódios. Tenho várias ideias sendo trabalhadas, e músicas novas definitivamente está na lista.


Canal Bloody Mary: Por que dessa vez apenas São Paulo receberá o show da “American Monster Tour”?


Michale Graves: A agenda mudou algumas vezes, havia cidades que estavam na lista, mas depois sumiram. Então se estou deixando de ir em algumas cidades nessa turnê e por conta da agenda. Mas quando chegar no próximo ano, toda América Latina, incluindo o Brasil poderá ser contemplada de novo. Vocês ficarão de saco cheio de mim porque tenho planos de ir ai outras vezes se houver o desejo de verem o “ American Monster Tour”, tenho planos também de voltar com o show acústico, com o show solo, então pretendo ficar bastante ocupado no país de vocês.


Canal Bloody Mary: Qual a sua mensagem para os fãs que irão para o show de São Paulo?


Michale Graves: Minha mensagem é que venham como vocês são, e saibam que estão andando em um lugar onde todos ao seu redor, incluindo eu mesmo, estão celebrando todos individualmente, coletivamente, através dessas músicas que amamos tanto, e espero que a gente se divirta bastante individualmente e coletivamente, e essa é minha mensagem, venha como você mesmo.

_canalbloodymary_edited.jpg
bottom of page