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  • Foto do escritorMari Goé

Matanza INC: "Compor o álbum foi o que manteve a nossa sanidade mental durante o confinamento"


Crédito: Marcelo Marafante

-Para uma banda que carrega uma longa bagagem e está acostumada a viver na estrada, como foi a pandemia pra vocês? Atrapalhou muito os planos da banda?


Marco Donida: A pandemia atrapalhou os planos de todo mundo. Tínhamos uma viagem marcada pra Europa, que foi cancelada e agora, com o mundo aos pedaços, vai ser bem mais difícil remarcar. Mas isso não é nada comparado a tantas pessoas que perderam a vida ou pessoas próximas. Pra nós, serviu pra compor o material do segundo álbum da banda. Foi o que manteve a nossa sanidade mental durante o confinamento.


-Ano passado vocês lançaram o segundo álbum, que foi muito bem elogiado. Vamos falar sobre o processo da produção deste álbum. Conte como que rolou todo o processo, quando começou a gravação e composição do “Retórica Diabólica”.


Marco Donida: A gravação do Retórica se deu em dezembro de 2021, no estúdio High Five em São Paulo, enquanto a mixagem e masterização ficaram por conta do Fernando Sanches do Estúdio El Rocha. O álbum foi lançado em maio, numa parceria com o selo Estelita, de Recife, que editou as músicas, subiu para as plataformas e prensou os digipacks.


-Para você quais as principais diferenças entre os dois álbuns, "Crônicas do Post Mortem - Um Guia para Demônios e Espíritos Obsessores" e “Retórica Diabólica”?


Marco Donida: O material do Crônicas já estava bem adiantado quando o Matanza velho encerrou as atividades. A idéia era gravar as músicas e subir no Youtube, apenas. No entanto, ao final do processo de gravação, veio o convite do Leo Bigode para lançar o álbum pela Monstro, e acabamos engrenando os trabalhos. Assim, o Matanza Inc deixou de ser apenas um projeto pra se tornar efetivamente uma banda.

O Retórica foi pensado e escrito durante a pandemia, com muita calma e tempo de sobra pra experimentar coisas novas. Musicalmente, eles devem ser entendidos como uma sequência; seguem a mesma linha, que começa no primeiro álbum do Matanza, e que vem agregando elementos ao longo dos anos. Acho que o maior diferencial talvez seja alguma influência de Stoner Rock, algo pouco explorado anteriormente.


-Vocês irão lançar agora neste começo de ano os vinis de “Retórica Diabólica”. Por mais que a gente esteja na “era dos streamings”, vejo uma crescente bem legal quando se trata desses materiais físicos. Você vê os fãs mais novos á procura deste tipo de material ou vê o vinil como item apenas de colecionadores?


Marco Donida: Realmente, hoje você não precisa ter qualquer contato com um artista pra ter acesso a todo seu conteúdo. Na verdade, isso é ótimo. Eu não sou nem um pouco saudosista da época em que era uma luta pra conseguir ouvir as coisas que eram lançadas. Agora, quando alguém compra um disco, ainda que ele esteja disponível on-line, é porque quer se conectar com o artista, e essa energia é muito valiosa. Por isso o material físico ainda é imprescindível no trabalho da banda. Além do mais, eu não quero gravar um disco e não tê-lo em mãos em algum momento.


-E ainda sobre os vinis, quando serão lançados e em quais versões?


Marco Donida: O vinil do Retórica Diabólica deve estar chegando da fábrica ao tempo em que respondo essa entrevista. Três selos se uniram e empreenderam esse lançamento: E-Discos, Buzina Discos e Vinil Olds. Ele virá em vinil roxo esfumaçado, e também em vinil branco com um “splatter” muito doido, exclusivo da pré venda.


-A banda era um quinteto, e desde 2020 se mantém como quarteto. Isso mudou algo na sonoridade da banda? O que mudou?


Marco Donida: Pra música em si, como ela é escrita, não faz diferença. Ter uma ou duas guitarras muda mesmo na hora de fazer o arranjo, porque você precisa pensar de um jeito que a banda soe bem. Resumidamente, com duas guitarras existem mais possibilidades, mas é preciso ter tudo muito bem combinado pra não dar conflito. Com uma guitarra só é mais difícil preencher todos os espaços, mas o som fica mais orgânico e fluido.


-Vocês carregam uma história respeitável, em ambas gerações da banda. Para você, qual o espírito da banda? Qual a essência do Matanza Inc?


Marco Donida: O Matanza nasceu nos anos 90, época em que havia uma tendência de misturar gêneros e estilos, e nós encontramos esse lugar que juntava Johnny Cash, Slayer e Motorhead. Entretanto, a banda foi assimilando vários outros elementos, conforme o passar dos anos, e construindo um trabalho autoral singular. A idéia nunca foi reinventar a roda, mas tentar chegar em algo novo a partir de uma fórmula. A essência, portanto, continua a mesma no Matanza INC.


-Suas composições são todas muito bem trabalhadas. Qual música você considera que foi a mais complexa de escrever e porquê?


Marco Donida: Acho que as músicas mais difíceis são aquelas que repetem algum formato, que estão na mesma “função” de outras do seu repertório. Com essas, é preciso arrumar uma nova solução, para que possam efetivamente acrescentar alguma coisa. Por outro lado, quanto mais estranha a música for tanto mais fácil, porque estamos partindo de algo diferente. Assim, dá pra saber mais rápido se a música serve ou se é melhor descartá-la.


-E quais as suas composições favoritas até o momento?


Marco Donida: Gosto de todas porque sei o trabalho que deu gestar cada uma, mas é fato que umas têm mais apelo que outras; possuem conceitos mais sólidos e “funcionam” em mais situações. Geralmente as músicas que se tornam single têm essa virtude. Há também aquelas que “passam batido” no álbum, mas, quando ao vivo, crescem grandemente. Em verdade, as que eu mais gosto são as que eu ainda estou escrevendo. Sei que todas guardam boas soluções, mas enquanto uma letra está no campo das idéias, suas possibilidades são inúmeras. Escrever é fazer escolhas, eliminar opções e achar um caminho; e ocupar a cabeça com isso é um vício.


-Em 2008 vocês lançaram o Matanza Comix, um fanzine que deu um pouco de vida às narrativas presentes nas músicas. Como foi essa experiência? Existem planos para outra edição?


Marco Donida: O Matanza Comix foi impresso em gráfica, tinha capa colorida e 44 páginas. Convidei vários amigos desenhistas, como Arnaldo Branco, Allan Sieber, Daniel Etê, Juca, entre outros. Achei que tivéssemos vendido tudo na época, mas há alguns anos achei uma caixa perdida, que eu devo ter separado e esqueci. Fazer quadrinhos é sempre uma experiência ótima e toda pilha é bem vinda! MATANZA INK? Quem sabe...


-Quais são os próximos planos da banda?


Marco Donida: Estamos trabalhando a divulgação do álbum. Em breve teremos um novo lyric vídeo, além de algumas datas em festivais e Encontros de motociclistas. E sempre compondo material novo, que é o mais importante.


-Estamos finalizando a entrevista. Gostaria de mandar um recado pra galera?


Marco Donida: Agradeço a todos que apoiam a cena underground, que comparecem aos eventos e fortalecem o trabalho das bandas. Cada um que curte o som faz diferença!


Acompanhem o Matanza INC nas redes e plataformas: https://linktr.ee/matanza_inc


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