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  • Foto do escritorRenan Soares

Levante do Metal Nativo: como estão as bandas do movimento hoje?


Em meados de 2015 surgiu uma movimentação na cena underground brasileira, chamada "Levante do Metal Nativo". E o que era isso exatamente? Era a união de 8 bandas tupiniquins, que tinham em comum em seu o trabalho o fato de falarem sobre a história brasileira em seu som, sendo essas bandas Aclla (SP), Voodoopriest (SP), Armahda (SP), Cangaço (PE), Hate Embrace (PE), Arandu Arakuaa (DF), MorrigaM (AP) e Tamuya Thrash Tribe (RJ).


Movimento esse que chamou bastante a atenção na cena em geral, a ponto que em 2017, quando esse que vos escreve estava prestes a se formar no curso de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, decidiu fazer o trabalho de conclusão de curso (famigerado TCC) a respeito do Levante em questão.


Para quem quiser conferir a trabalho em questão, os dois programas de rádio que produzi, junto com o meu colega Ednaldo Siqueira, estão disponíveis no Soundcloud na íntegra. O mesmo teve a orientação do professor Vlaudimir Salvador, e a locução de Vanessa Cavalcanti.


Como esse trabalho foi feito em 2017, certamente muitas coisas mudaram de lá para cá, a começar pelo próprio Levante por si só, que não está tão ativo quanto já esteve outrora. A página do mesmo ainda está ativa no Facebook, mostrando novidades relacionadas as 8 bandas do movimento, e também recomendando trabalhos de outras bandas nacionais.


E com isso, nesse texto irei revisitar um pouco esse trabalho que fiz há 6 anos, mostrando como as 8 bandas estavam em 2017, e como está a situação das mesmas hoje em dia. E já adianto, infelizmente não foram todas que sobreviveram ao tempo.


ACLLA


Começando com uma das que infelizmente não sobreviveram ao tempo, sendo o grupo paulista de Power Metal Aclla. Formada em 2007, tendo lançado o primeiro álbum, intitulado "Landscape Revolution" em 2010, que tinha como principal temática a preservação do meio ambiente, mas que ainda não abordava a temática da história brasileira.


Em 2017, quando fiz o meu trabalho, a banda estava na produção do segundo álbum, intitulado "Pindorama", onde nessa o grupo abordaria a chegada dos portugueses ao Brasil, mas na visão dos indígenas, fazendo duas versões do trabalho com letras em português e em inglês.


Mas, infelizmente, já naquela época o Aclla lidava com vários altos e baixos nos bastidores que fizeram a banda ficar inativa, o "Pindorama" ficar na gaveta por um bom tempo, tendo apenas algumas poucas músicas sido liberadas para a audição do público.


Apenas em agosto de 2019 que Tato Deluca, líder do Aclla, finalmente tirou o "Pindorama" da gaveta e soltou para o mundo, tendo aquele sido o último ato do Aclla.


MORRIGAM


Essa é outra banda que já na época em que realizei meu trabalho estava mais para lá do que para cá. O grupo amapaense de Death Metal, formado em 2013, teve apenas um EP lançado no mesmo ano, intitulado "Anhangá". Em suas músicas, eles abordavam temáticas indígenas e pagãs do Norte do Brasil.


Em 2017 a banda passava por diversos problemas internos, tanto que meu entrevistado para o trabalho foi um músico que nem sequer fazia mais parte do grupo, sendo ele o guitarrista Kallebe Amil, porque simplesmente não consegui entrar em contato com nenhum dos integrantes remanescentes na época.


Pelo que via nas redes sociais do MorrigaM, eles até tentaram se reerguer, mas sem sucesso, tendo a banda morrido sem sequer ter tido um enterro. Mas se servir de esperança, no final de 2022 a banda criou uma página no Instagram com apenas uma postagem alegando que o grupo estava de volta a ativa, mas sem dar maiores detalhes, e nem anunciado nenhuma novidade concreta.


TAMUYA THRASH TRIBE


Formada em 2010 no Rio de Janeiro, o Tamuya Thrash Tribe fazia um Thrash Metal abordando a temática indígena de uma forma mais política em suas letras, defendendo os povos originários e a sua cultura, tendo inclusive o frontman Luciano Vassan tido contato com tribos indígenas para aperfeiçoar ainda mais o trabalho.


Em 2017 a banda estava bastante na ativa, principalmente porque no ano anterior, 2016, eles tinham lançado seu primeiro álbum intitulado "The Last of the Guaranis", e pelo menos até 2019 o grupo fazia shows com uma boa constância.


Mas, tempos depois o próprio Luciano Vassan anunciou nas suas redes pessoais que estava vendendo seus instrumentos, indicando que ele estava desistindo da música, e o Tamuya Thrash Tribe teria chegado ao fim. E acho que até que seja dito o contrário, devemos considerar dessa forma, principalmente porque a última publicação da banda foi em 2020.



HATE EMBRACE


A banda pernambucana de Death Metal Melódico Hate Embrace foi formada em 2008, tendo lançado o primeiro álbum em 2012, sendo esse o "Domination. Occult. Art", que de início abordava como temática a mitologia egípcia.


Mas a partir de 2014, após lançar o álbum "Sertão Saga", disco que contava a história de Lampião e o Cangaço, a banda abraçou de vez a temática regional nordestina, e também as letras em português.


Em 2017 o grupo se preparava para lançar seu terceiro álbum, que teria como temática as lendas do Recife Assombrado, tendo inclusive liberado duas músicas do mesmo. Mas, a banda passou por diversos problemas internos, tendo depois só lançando o EP "Revoluções" em 2018, em homenagem ao bi centenário da Revolução Pernambucana ocorrida em 1817.


Pouco após isso, o baterista e líder do grupo Ricardo Necrogod anunciou nas redes da banda que o grupo não faria mais shows, e se focaria apenas nos lançamentos em estúdio, tendo tempos depois o mesmo feito uma postagem nas suas rede pessoais vendendo o kit de bateria, sinalizando o fim do Hate Embrace, e que o álbum sobre o Recife Assombrado nunca veria a luz do dia,


Mas felizmente, em 2021 a banda anunciou seu retorno, tendo inclusive lançado dois singles desde então. Sendo eles o "Juazeiros Invisíveis", no mesmo ano, e o "Nordestinados", em 2022.


ARMAHDA


Formada em 2011, a banda paulista de Power Metal Armahda lançou até então seu único álbum homônimo em 2013, onde em suas músicas eles abordavam episódios da história brasileira, como a Guerra de Canudos, Revolta da Armada, o Duque de Caxias, a Rainha Maria Louca, e outros.


Em 2017 a banda estava ativa realizando shows, e também preparavam seu segundo álbum, que desde então ainda não está pronto, tendo o último lançamento do grupo sido o single "The Last Farewell", que fala do exílio do imperador Dom Pedro II, de 2015.


Após se apresentarem na Europa em 2018, a banda ficou 4 anos sem dar novidades nas redes sociais, tendo se manifestado apenas no dia do bi centenário da Independência do Brasil. Mas em postagens recentes, a banda mostrou que retomou as produções do novo álbum que deve vir em breve. O que nos resta é aguardar.


CANGAÇO


A banda pernambucana Cangaço, que junta o Death Metal com elementos da música Folk nordestina, foi formada no final de 2009, tendo se destacado por ter se apresentado no concurso Metal Battle do Wacken Open Air, mesmo tendo menos de um ano de fundação.


Seu primeiro, e único álbum, intitulado "Rastros", foi lançado em 2013, abordando além da sonoridade nordestina, também a temática nas letras contando episódios da história do Nordeste brasileiro.


Em 2017 a banda ainda fazia shows constantes, e tinha lançado em 2015 o EP "Retalhado", que apresentava uma música inédita (Rondon), e releitura das músicas "Nothing to Say", do Angra, "Guerreiro", do Alceu Valença, "Sangue de Bairro", do Nação Zumbi, e "Cavalo do Cão", de Zé Ramalho.


Após 2018, a banda passou um bom tempo sem dar nenhuma novidade, tendo sequer feito shows após isso. Até que em 2020, em meio a pandemia, o grupo finalmente lançou um novo EP intitulado "Inevitável" com cinco músicas novas, sendo também o primeiro trabalho do mesmo a contar com o acordeão na formação.


Mas após isso, não tivemos mais nenhuma novidade por parte deles.


VOODOOPRIEST


A banda paulista de Death/Thrash Metal Voodoopriest foi formada em 2012, e na época contava com o icônico Vitor Rodrigues nos vocais, que recém tinha saído do Torture Squad, e em 2014 lançou seu primeiro álbum intitulado "Mandu", contando a história de Mandu Ladino, indígena responsável por uma revolta contra os fazendeiros do Piauí no século XVIII.


Em 2017, época em que fiz meu TCC, a banda fazia shows constantes, tendo inclusive coincidentemente vindo tocar aqui em Recife no mesmo período em que eu estava realizando o trabalho, ainda divulgando o primeiro álbum.


Em 2018 Vitor Rodrigues deixou a banda, e o baixista Bruno Pompeo assumiu os vocais, tendo em 2019 lançado o segundo álbum intitulado "Cipó dos Mortos", ainda se mantendo na temática indígena.


A banda se manteve na ativa durante todo esse período, até sofrerem um grande baque em meados de 2020, quando foi noticiada a morte de Bruno Pompeo após um infarto, tendo a partir daquele o momento o futuro do Voodoopriest ficado incerto.


Mas felizmente, mesmo após a morte de Pompeo, a banda se reformulou, agora com Nelson Garcia no vocal e Bruna Almeida no baixo, já tendo inclusive se apresentado sob a nova formação.


ARANDU ARAKUAA


E para fechar com chave de ouro, vamos falar da banda brasiliense Arandu Arakuaa, formada em 2008, e que é a mais "curiosa" das 8 mencionadas, porque além de abordarem a temática e as crenças indígenas seja liricamente ou sonoramente, o grupo escreve as letras das músicas nas línguas dos povos originários, como tupi, xerente e xevante.


Podemos dizer que o Arandu Arakuua é a banda do Levante do Metal Nativo que mais se manteve na ativa desde a realização do meu trabalho. Na época, o grupo já tinha dois álbuns lançados, sendo eles o "Kó Yby Oré", de 2013, e o "Wdê Nnãkrda", de 2015 (boa sorte tentando pronunciar os nomes haha).


No ano seguinte, 2018, a banda lançou seu terceiro álbum intitulado "Mrã Waze", e mesmo passando por várias mudanças de formação o grupo liderado pelo guitarrista Zândhio Huku se manteve bastante produtivo, lançado vários singles em 2020, e o EP "Ainãka", em 2021.



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