• Mari Goé

Entrevista Scars: "Posso garantir que o amor ao metal e ao underground é comum à toda a banda"



01-Vocês acabaram de lançar o primeiro álbum ao vivo “Violent Tour 2022: Live In Sao Paulo”, como que surgiu a ideia de gravar um álbum ao vivo?


Alex Zeraib: Já vínhamos tentando fazer esse álbum ao vivo acontecer há três anos, até mesmo antes do “Predatory”. Quando fechamos a data para tocar no La Iglesia, em São Paulo, já sabíamos que eles ofereciam esse serviço de gravar o show inteiro e, posteriormente, entregar as faixas separadas para a banda mixar. Então a casa fez só a captação, e nós a mixagem. Acredito que ter um álbum ao vivo é um dos sonhos de qualquer músico que tem uma banda, de qualquer estilo. O fato de poder eternizar uma apresentação é muito especial e, ao mesmo tempo, aterrorizante. Digo isso pois gravar um show ao vivo requer muito foco e concentração na execução do setlist. Requer conscientização por parte dos músicos envolvidos que temos que apresentar o nosso melhor, treinar previamente e rever detalhes de todas as músicas, mesmo aquelas que tocamos há 30 anos. Praticamos muito para esse evento e cada um dos 5 integrantes deixou o seu melhor no registrado palco e na gravação.


Ricardo Lima: Me parece que esse sempre foi um objetivo para banda, não sei se em outras oportunidades a banda teve uma chance tão clara quanto essa que tivemos, uma boa casa, técnicos experientes e um cast de bandas bem legal também ! Isso e um bom planejamento interno surtiram efeito nesse live!


Marcelo “Mitché”: Acho que o Scars tem essa ideia desde os anos 90! (risos) Fechamos com o La Iglesia, e quando soubemos que teria a chance de gravar tudo, a ideia virou realidade!


João Gobo: Um registro ao vivo costuma ser um marco na carreira de qualquer banda. Os shows possuem uma intensidade única que os álbuns gravados em estúdio não conseguem reproduzir. A interação músico/público é o que mantém qualquer carreira ativa. Não há quem desenvolva uma carreira artística, nas mais diversas áreas, sem público que o respalde. Nossos shows sempre foram intensos, com grande participação do público. O Régis é um frontman nato! Conduz o show com maestria. Precisávamos encontrar uma maneira de registrar isso e o um álbum ao vivo se mostrou a forma mais correta. Aproveitamos a apresentação que ocorreu em São Paulo para concretizarmos esse processo.



02-Qual foi a maior dificuldade que vocês encontraram nas gravações de um álbum ao vivo? Porque creio que seja bem diferente de gravar em um estúdio...


Alex Zeraib: O show, em termos de performance, exigiu que nós focássemos mais na execução, só isso. O mais difícil mesmo foi extrair da mixagem o melhor em termos de sonoridade. Peso geral, timbres etc, sem perder o clima de “ao vivo”. Conseguimos captar o público pelo vazamento nos microfones do palco, principalmente nos dois microfones gerais sobre a bateria. Assim conseguindo uma combinação bem satisfatória de qualidade de áudio e “feeling” do show.


Ricardo Lima: Acho que não tivemos dificuldades, de verdade, estávamos e estamos tão bem entrosados e com uma vibe tão grande que apenas subimos lá e fizemos o nosso melhor! Estávamos literalmente com as músicas nas mãos!


Marcelo “Mitché”: Da próxima vez que eu gravar algo ao vivo, não quero saber antes. Não quero a pressão de não poder errar. Com essa preocupação acabo errando (risos) não tem essa de, “vamos fazer de novo”.


João Gobo: Sem sombra de dúvidas, gravar um álbum ao vivo é muito diferente do trabalho realizado em estúdio. São universos diferentes com suas respectivas vantagens e desvantagens. Talvez a maior dificuldade seja pensar estruturalmente. No estúdio nos ocupados de uma faixa por vez. Gravamos vários takes, por vezes podemos testar arranjos e fazer experimentalismos, sempre visando o melhor para aquela determinada música. Ao vivo, é bem diferente. Nos dividimos entre o show, a interação com o público e a parte técnica: equipamento, execução, concentração. Tudo ao mesmo tempo agora!


03-Como uma banda com muita bagagem nas costas, como foi a pandemia pra vocês? A paralisação afetou muito os planos/projetos da banda?


Alex Zeraib: A pandemia foi, por incrível que pareça, um momento muito produtivo e de muito crescimento para nós. Lançamos nosso último álbum mundialmente na metade de 2020, momento no qual todo o mundo estava online. Assim, tivemos muita exposição nas plataformas digitais, produzimos praticamente um vídeo clipe para cada faixa do álbum, participamos de alguns festivais online, etc.. E devido a essa nova era digital, que era novidade para a banda, usamos e abusamos dos veículos disponíveis para fazer o nome da banda, a marca SCARS, rodar.


Ricardo Lima: Na pandemia produzimos, afetou a parte de shows e tal, mas em compensação evoluímos como músicos e compusemos vários sons, pude me entrosar e conhecer melhor as músicas que fariam parte de futuros set lists!


Marcelo “Mitché”: Na verdade atrapalhou tudo, lançamos o Predatory bem no início da pandemia! Não podíamos fazer nada, depois apareceram algumas lives, mas o lado bom é que tivemos bastante tempo para compor material novo. No momento temos material para mais dois lançamentos. Com o “fim” da pandemia, vamos botar a mão na massa e continuar divulgando o Predatory, acredito que esse álbum ainda tem muita lenha para queimar!


João Gobo: Creio que de forma generalizada, a pandemia foi um grande entrave para o meio artístico. Incertezas geram tensão e stress. Felizmente, conseguimos reverter a situação. Nos reinventamos! Já que não podíamos tocar, gravamos vídeos das músicas do Predatory. Conseguimos levar nosso trabalho adiante. Também não posso deixar de mencionar as lives que participamos, fosse tocando ou conversando. Somos gratos a esse esforço coletivo do underground.


04- E como que rolou a escolha do setlist para este show?


Alex Zeraib: Nós testamos diferentes setlists ao longo dos primeiros shows da turnê, e como o show em São Paulo seria o último, tivemos tempo para experimentar o que funcionaria melhor para a gravação em si, não somente para o show. Assim, chegamos a 10 faixas, que no final das contas constituiu um bom número para o álbum.


Ricardo Lima: Essa dura tarefa ficou a cargo do Alex e do Regis, para mim foi só alegria tocar esse set. E ainda tínhamos mais músicas ensaiadas e prontas para tocar!


Marcelo “Mitché”: Na “Violent Tour” fizemos um show diferente do outro, ou apenas mudando a ordem das músicas. E esse foi o que ficou no La Iglesia, que está matador!


João Gobo: A escolha do setlist foi bem tranquila. A grande maioria das músicas integra o set da Violent Tour. Foi algo natural!



05- Vocês têm mais de 3 décadas de história, o que mantém vocês ativos e sempre produzindo? O que incentiva vocês a continuarem na estrada?


Alex Zeraib: O que me motiva a dar continuidade à história do SCARS é meramente a paixão que tenho por música e em especial pelo estilo que tocamos. Eu componho baseado no que eu gosto e não para agradar ninguém, mas com certeza somos muito afortunados de ter pessoas que apreciam e escutam nosso trabalho. Acho que a fórmula é essa, amor no que fazemos.


Ricardo Lima: Eu adoro tocar, já acordo muito motivado a estudar e produzir para a banda, sou naturalmente motivado para isso! E tocar com esses caras é sempre muito acima da média!


Marcelo “Mitché”: Teimosia!! (risos) Nós nos desgastamos, ficamos doentes e cansados, mas o amor pela música pesada fala mais alto!!


João Gobo: Creio que cada um de nós tenha seus motivos. Posso garantir que o amor ao metal e ao underground é comum à toda a banda. Tocamos porque gostamos de estar no palco e dessa interação com o público. O underground é isso. É o elo entre banda e público que o mantém. Apesar das três décadas de banda, ainda há aquela sensação de que podemos fazer mais. Jamais nos acomodamos!


06- O Scars tem grandes álbuns lançados, mas vocês têm algum álbum ou música em específico que seja mais especial pra vocês até agora? E se sim, por quê?


Alex Zeraib: O meu registro favorito do SCARS é o primeiro, o “Ultimate Encore”. Apesar de ser um split cd com somente quatro faixas nossas, elas representam a essência da banda, registradas num momento muito especial para todos os envolvidos. Minha faixa favorita é a “Ruined by Hatred”, desse mesmo trabalho. Ela é a definição do que o SCARS representa musicalmente.


Ricardo Lima: Eu fui o último a entrar, então essa estreia será para mim o marco inicial, depois o que vier serão os especiais da vez!


Marcelo “Mitché”: Bom, para mim é o Predatory. Apesar de eu ter muita bagagem, esse foi meu primeiro álbum, tenho um amor especial per ele.


João Gobo: Essa é uma questão bem pessoal! Para mim, obviamente o Predatory, por representar a atual fase da banda, merece destaque. Creio que o melhor ainda esteja por vir, mas não posso negar que o Devilgod Alliance talvez seja o mais representativo para mim. A razão é de uma simplicidade absurda: Foi o primeiro disco que gravei com a banda, ainda em 2008. De certa forma, para mim, foi o início de tudo, por isso merece ser alçado ao patamar de “álbum mais especial”.


07- Qual a essência do Scars? Qual o legado que vocês gostariam de deixar?


Alex Zeraib: Como qualquer outra banda, somos essencialmente um grupo de pessoas conectadas por uma paixão comum, a música. Somos crianças de novo quando ensaiamos, tocamos e gravamos. O legado que queremos deixar é que outras bandas façam isso por diversão, primeiro de tudo, e em segundo plano pelo business. A ordem inversa não funciona.


Ricardo Lima: A essência é o som pesado com fortes melodias musicalmente falando , mas também queremos deixar ótimos registros para a molecada mais nova se inspirar e ter a certeza de que é possível você gravar , excursionar durante um bom período da vida! Basta seguir para frente sem olhar para trás!


Marcelo “Mitché”: Ser lembrado como uma banda de Thrash legítima!


João Gobo: Scars é uma banda formada por fãs de metal! Todos nós crescemos ouvindo esse tipo de música. Todos nós discutimos e conversamos sobre o metal. Falamos de discos preferidos, shows memoráveis de bandas que nos influenciaram etc. Ao mesmo tempo, cada uma característica que nos diferencie. Pertencemos ao underground porque gostamos disso. Mais que ouvir, vivenciamos o heavy metal. Talvez, a somatória de todos esses fatores, diferenças e fidelidade ao gênero musical, componha a essência da banda e o seu legado!


08- E quais os próximos planos da banda?


Alex Zeraib: Repetir o ciclo: entrar em estúdio e gravar um novo álbum de inéditas, talvez lançar um ou dois singles antes, gravar novos vídeo clipes, fazer novos shows, atualizar as plataformas digitais com novo material. Seguir construindo a história do SCARS.


Ricardo Lima: Seguirmos bem e em frente, com vídeos, shows e principalmente sem hiatos e com regularidade de lançamentos inéditos maior do que fizemos no passado!


Marcelo “Mitché”: Temos muito material novo, vamos dar andamento nas pré-produções e cair de cara no estúdio! Queremos gravar sem pressa e entregar o melhor do Scars para a galera!


João Gobo: Estamos planejando coisas bem legais para o futuro. Aos poucos estamos trabalhando no material novo que integrará nosso próximo álbum de estúdio. Aguardem!


09- Estamos finalizando e entrevista, gostaria de mandar um recado para a galera?


Alex Zeraib: Muito obrigado a todos que nos acompanham e nos mantêm vivos, vocês são muito importantes para o SCARS. Muito obrigado Mari e Canal Bloody Mary pelo espaço.


Ricardo Lima: Galera muito importante, como sempre foi, apoiar as bandas nacionais, as bandas dos seus amigos, da sua cidade ! Está acontecendo uma grande quantidade de shows internacionais, mas separe uma grana para prestigiar o seu amigo que certamente você sabe o quanto ele rala para entregar algo, às vezes, melhor do que as bandas que vem para cá!


Marcelo “Mitché”: Mari e todos do Canal, obrigado pelo espaço! Para a galera, continuem acompanhando o Scars, teremos muita coisa boa acontecendo em breve!


João Gobo: Gostaria de agradecer a todos aqueles que nos apoiam ao longo desses trinta anos. Banda e público funcionam como uma grande família e temos muito orgulho disso!


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