• Mari Goé

Entrevista ENIGMA EX MACHINA: "Poder fazer um som e criar conexões através disso é incrível"



-A banda é relativamente nova, como e quando a banda começou?

Renato "Timbó": Eu sou músico já a mais de 15 anos, e durante quase todo esse tempo toquei em muitas bandas covers, e durante pelo menos uns 12 desses 15 anos o André Vaz (Guitarra) sempre esteve junto comigo pelas bandas. Sempre tive vontade de fazer som autoral, mas acho que nunca estive pronto musicalmente para isso e em 2017 o André veio com uma ideia de fazer um som diferente, dentro do que gostamos do mundo de metal progressivo, mas mais uma vez não estávamos preparados pra isso e foi um processo inicialmente bem difícil. Eis que em 2019, inspirado por algumas bandas e shows que já tinha visto naquele ano, compus uma música e enviei para ele. Ele comentou que era legal o som, e me perguntou o que eu pretendia fazer com ele. Foi aí que disse “Vamos começar o trabalho da Enigma Ex Machina”. Daí para diante, foi como se tivéssemos virado uma chave nas nossas cabeças e, em pouco tempo, as 5 músicas do nosso primeiro trabalho já estavam estruturadas e com as ideias principais definidas. Nesse período, através de amigos em comum conhecemos o Artur, que no mesmo dia já foi convidado e entrou pra banda, trazendo o João, companheiro de podcast e baixista, junto com ele.


-O EP de estreia de vocês é o “The Event Horizon”, como que foi a produção deste EP? A pandemia atrapalhou algo neste processo?

Renato "Timbó": A pandemia fez com que nós buscássemos alternativas pra atividades que antes nunca havíamos pensado. Reuniões da banda deixaram de ser no bar e passaram a ser online, e todo o processo de gravação acabou sendo à distância. No EP as baterias foram todas programadas, mas sempre com o acompanhamento e as ideias do Artur, eu gravei guitarras e vocais na minha casa, André gravou as guitarras dele na casa dele, e numa ocasião nos encontramos com o João para gravar os baixos. A mixagem ficou por minha conta e masterizamos com nosso amigo Leandro “Lê Dread” que fez um grande trabalho.


-O nome da banda é muito interessante e curioso, poderiam explicar o conceito por trás do nome?

Renato "Timbó": O nome da banda veio inspirado pelo conceito literário do deus ex machina, que é uma solução para o plot vinda inesperadamente, muitas vezes inexplicável. Somos ligados a questões de saúde mental e na luta do ser humano com o cotidiano e, numa conversa, surgiu o conceito de enigma ex machina, que seria proporcionalmente o inverso da ideia original, onde ao invés de soluções, problemas e desafios surgem inesperadamente e sem explicação. E nossa vida é isso, na essência: uma série de problemas e soluções ocorrendo a todo instante.


-Com relação as composições das letras da banda, o que inspirou vocês a escrevê-las? Algum tema ou acontecimento específico?

Renato "Timbó": As letras em geral acabam sendo o último ponto de todo o processo de composição. Geralmente nós pensamos no tema que queremos abordar e todo o instrumental acaba seguindo uma estética que encaixa nesse tema. Depois de pronto, aí eu passo a pensar na melodia e métrica do vocal e a escrever a letra baseada nisso. Temas como saúde mental, mitologias e críticas sociais acabam sendo os mais recorrentes, pois são os temas onde nós 4 acabamos inseridos e interessados.


-O som de vocês vai bem além do metal progressivo, o que inspira vocês na composição e na construção da sonoridade da banda?

Renato "Timbó": A banda tem influências individualmente que acabam sendo bem diferentes, mas que convergem pra alguns pontos comuns, e essa mistura que acaba sendo o diferencial. Eu tenho um background musical de rock e metal progressivo essencialmente, mas também ouço muito outros estilos como post-metal, sludge e coisas mais “fora da curva” como jazz fusion e blues. André vem de uma escola mais “guitar heroes”, sendo muito fã dos trabalhos de Petrucci e Zakk Wylde. Artur traz mais de death e post-metal e algumas outras vertentes, e João é o mais tradicional dos 4, com uma influência puxada pra death, thrash e afins.


-O primeiro single de vocês foi “Omniphobia”, justamente por mostrar a verdadeira essência da banda para o público. Explique a história ou conceito por trás dessa música.

Renato "Timbó": Omniphobia foi a música que basicamente iniciou toda a história da banda, e foi escrita em um momento pessoal difícil, em que sofria de frequentes crises de ansiedade ocasionadas pelo ambiente e pelas relações que mantinha, e foi o tema para essa música. Omniphobia significa “medo de tudo”, em latim, e é a representação total de como eu me sentia nos momentos de crise. Escrever sobre isso acabou fazendo parte do processo que me afastou desses problemas e eu realmente espero que a música seja representativa do que muitas pessoas passam.



-Quais os próximos planos da banda?

Renato "Timbó": Estamos em processo de composição para o lançamento do nosso primeiro full length, que pretendemos lançar no inicio de 2023. Estamos muito empolgados, pois pudemos apresentar algumas das músicas novas em 2 shows que realizamos recentemente, na Av. Paulista e no bar FFFront, ambos em SP, e a recepção foi incrível. Junto com o disco, pretendemos lançar pelo menos dois vídeo clipes e fazer mais shows tanto dentro quanto fora de SP.


-Pra finalizar a entrevista, mande um recado para a galera!

Renato "Timbó": Primeiro de tudo, agradecer imensamente a oportunidade de bater esse papo. Tem sido uma viagem incrível todo esse lance de escrever, compor e compartilhar música. Pra nós que temos uma relação tão estreita com a música e com a importância que ela representa nas nossas vidas, poder fazer um som e criar conexões através disso é incrível. Estamos muito felizes do que estamos fazendo e espero que em breve vocês possam conhecer o nosso novo material e que possamos nos apresentar e trazer um pouco da Enigma Ex Machina pra perto da galera.


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