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Entrevista com Enigma Ex Machina, que lançou recentemente o álbum "Blurring Thoughts, Flawless Lies"

A banda Enigma Ex Machina acaba de lançar o álbum "Blurring Thoughts, Flawless Lies". Formada em 2019 na cidade de São Paulo, o quarteto combina metal progressivo com elementos de death e post metal, criando uma sonoridade experimental e extremamente musical ao mesmo tempo. Confira a entrevista exclusiva para o Canal Bloody Mary,



Para quem ainda não conhece a Enigma Ex Machina, vocês poderiam contar como foi o nascimento da banda?

Pinga: A primeira ideia do que viria a ser a Enigma Ex Machina surgiu em 2017, queria começar um projeto para poder aprimorar meus conhecimentos em produção musical. A primeira pessoa que eu pensei em chamar para fazer parte disso foi o Timbó, além de um grande amigo de longa data, nós sempre estivemos tocando juntos em bandas. Conversei com ele, falei sobre as ideias que eu tinha, ele gostou e então começamos a busca por um baixista e um baterista. No entanto, essa busca foi complexa que imaginávamos e depois um tempo acabamos deixando as ideias de lado. Em 2019, depois dos shows do Haken e do Periphery, ficamos empolgados para voltar com o projeto e começamos as primeiras composições do que viria a ser o nosso EP (The Event Horizon). Pouco tempo depois conhecemos o Artur em um rolê que o Timbó estava discotecando e, alguns dias depois através dele, conhecemos o João.



Como surgiu a ideia de criar o álbum "Blurring Thoughts, Flawless Lies"? Quais foram as principais inspirações por trás desse disco?

Pinga: Podemos dizer que as grandes inspirações para este álbum não só foram ideias que resgatamos do passado, mas de experiências pessoais que já passamos, assim como de situações que vivemos em nosso cotidiano. Quando começamos o processo de composição das músicas, não tínhamos ideia do que realmente iríamos passar através das músicas, apenas algumas ideias soltas. O João tinha o esboço da letra e o riff inicial do que viria a ser a ‘The Effective Coziness of Non-Existence’; o Timbó trouxe uma ideia que quase foi inserida no EP e que acabou se tornando a Self-Indulgence, além do conceito sobre o mito de Laoconte que ele queria explorar isso mais a fundo. De início, era isso que tínhamos e começamos a partir disso. Conforme o processo foi acontecendo, as ideias foram surgindo e fomos estruturando o conceito do álbum aos poucos e isso fez com que todo o processo acontecesse da maneira mais natural possível.


João: Nós somos exageradamente diferentes em questão de gosto musicais, porém a banda em sua fundação sempre trabalha com as influências principais de Tool, Mastodon e Sepultura.


Timbó: De início, acredito que a principal inspiração foi nosso próprio EP, o The Event Horizon, porque acredito que ali começamos a aprender o que gostamos, o que funcionava pra nós e que poderíamos de uma certa forma trilhar um caminho único, sem nos prender a estilos ou rótulos. Nós 4 somos consumidores de muita música e das mais variadas vertentes, então acho que sempre entra um pouquinho de alguma coisa de modo inconsciente.


Artur: Seria esquisito dizer que o nosso próprio EP foi a inspiração? A empolgação de ver ele nascer e percebermos que podíamos fazer mais foi o grande motivador pra fazer o BTFL sair.



O título "Blurring Thoughts, Flawless Lies" sugere uma exploração profunda de conceitos e emoções. Poderiam nos contar um pouco mais sobre o significado por trás desse título e como ele reflete a essência do álbum?

João: O título sai de um verso da minha única contribuição lírica ao disco, onde retrata toda confusão mental e sofrimento de viver em crise de ansiedade/pânico constantes. Foi um jeito de exorcizar tudo que sinto e tentar expor de forma artística. Porém o título em questão vem de uma frase que eu e Timbó mudamos diversas vezes enquanto terminava a letra para encaixar na métrica. Como saiu exatamente isso no final eu não lembro e pode ser muito mais uma contribuição do Timbó do que minha quando vim com a letra. De qualquer forma ela caiu como uma luva no modo que nós queríamos que nossas músicas se expressassem, mesmo em outros temas que são abordados durante o disco.


Pinga: A nossa vida é repleta de altos e baixos, vide a perfeita analogia com a montanha-russa. Os momentos ruins não são para sempre, assim como os momentos de alegria, felicidade, também não são. Falar sobre o que te aflige pode não resolver seus problemas em si, mas libera um espaço enorme dentro de você para respirar um pouco melhor e pensar sobre tudo o que acontece a sua volta. Nem sempre as coisas são fáceis, mas não há por que as deixar se tornarem ainda mais complexas. Pensando nisso, as letras refletem como a dor, a angústia, a depressão, podem causar um estrago significativo em nossas vidas e por mais que as vezes a gente pense que não há alguma saída para uma determinada situação, talvez esse seja o momento de buscarmos alguma ajuda, pois muitas vezes a solução não é encontrada sozinha.


Timbó: Hoje temos tantas questões que lidamos no dia a dia, que nossos pensamentos parecem enevoados e é muito fácil nos perdemos em meio a tudo que acontece ao nosso redor. E na grande maioria das vezes, encontramos soluções paliativas que estão longe da verdade necessária. Buscamos mentiras infalíveis.





Como foi o processo criativo na produção do álbum? Houve algum desafio específico que enfrentaram durante a gravação?

Pinga: Normalmente as composições começam ou comigo ou com o Timbó e depois vamos compartilhando entre todos. Temos o hábito de começar a compor as músicas pelo instrumental e partir disso começamos a esboçar melodia, solos, temas, letras e por aí vai. É algo que fizemos no EP e que funcionou muito bem também no álbum. Acredito que a grande dificuldade que tivemos foi justamente estruturar o processo de gravação. No EP, até por conta da Pandemia, tanto eu quanto o Timbó gravamos tudo em nossas casas (exceto vozes que foram gravadas em estúdio) e por conta disso o processo acabou sendo mais fácil; já no álbum, todos estariam gravando seus respetivos instrumentos e aí acabou que penamos um pouco nessa etapa e ficamos mais tempo nela do que gostaríamos.


João: Da minha parte odiei cada segundo da parte de gravação e nem fui eu que mais se sacrificou em questão de produção etc. Só que é um processo muito exaustivo principalmente quando estamos falando de uma banda que se propõem a tocar músicas um pouco mais complexas. Imagino que nesse processo, nosso maior acerto e ponto que indico a qualquer outra banda do underground, foi a presença de um produtor, alguém externo que manje de música, mas que consiga ter um olhar distanciado para poder trabalharmos melhor. A meu ver isso impactou bastante no disco.


Timbó: O processo de composição para mim acaba sendo muito fruto do dia a dia. Eu procuro tocar guitarra regularmente e sempre gravando para salvar passagens, riffs ou progressões que eu acho interessante e posso usar futuramente. Às vezes, eu consigo engrenar numa ideia e ir transformando-a até ter um esqueleto de música pronto, com as passagens definidas, uma base e as vezes até algumas ideias para segunda guitarra ou para melodia dos vocais. Quando isso não acontece, ou quando o João ou o Pinga trazem uma ideia nova, eu procuro revisitar a minha “biblioteca de riffs” para ver se eu encontro coisas que podem ser inclusas nas novas composições e trabalhamos a partir daí. Durante todo o processo, procuramos ensaiar as músicas e elas foram se transformando ao longo de quase um ano, até chegarmos ao resultado final. Isso também refletiu no nosso desempenho, pois ficamos completamente à vontade com o que criamos e deixamos do nosso jeito.


Artur: Mesmo tendo aprendido muito com o EP anterior ainda somos, como a maioria no underground, quatro caras tentando fazer um disco de metal por nossa própria conta, sem poder nos dedicar 100% a isso, com limitações técnicas, orçamentais, de tempo, de saúde, etc. É um pouco frustrante quando as limitações técnicas são maiores que as criativas, mas faz parte, lidar com isso é outro desafio.



Quais são as principais mensagens ou temas que a banda gostaria que os ouvintes captassem ao escutar o novo álbum?

Pinga: Esperamos que, ao ouvirem as nossas músicas, que as pessoas se identifiquem com ideia de serem mais empáticas com o próximo. Não conhecemos a dor alheia e não sabemos as batalhas que determinada pessoa enfrenta no dia a dia. Entender também que o ato de estender a mão para aqueles que precisam de ajuda pode ser um simples gesto que pode mudar o mundo daquela pessoa; assim como para o outro lado, quando alguém te estender a mão para ajudar, aceite. O caminho fica muito mais leve quando dividimos nossas dores.


João: A vida não é tão importante assim, idem nós mesmos. Viver, concluir etapas, crescer é superestimado. Nós todos estamos fadados a morrer sobre as garras do capitalismo e lidar com ele no nosso dia.


Timbó: Eu gostaria que as pessoas pudessem encontrar um caminho para serem menos negativas e mais esperançosas. O refrão de Intrusion diz “It sounds wrong but we were never meant to know. Your numbness is gone and now is the time to make mine go” (Parece errado mas nunca foi para nós entendermos. Seu torpor se foi e está na hora de fazer o meu ir). Eu espero poder, mesmo que numa forma de desabafo através das letras, poder despertar esperança de que a vida é mais do que nos fazem pensar que é.


Artur: Que da pra fazer prog e ser burro.



Como vocês veem a evolução sonora da Enigma Ex Machina ao longo dos anos, especialmente em comparação com seu trabalho anterior?

Pinga: Certamente nosso trabalho atual teve um salto enorme no que diz respeito a sonoridade. Quando começamos as primeiras composições lá em 2019, não tínhamos ideia do que realmente queríamos fazer, só queríamos compor e ver no que ia dar. Na verdade, foi meio assim no álbum também, mas até pelo fato do Artur e do João terem participado das composições, as coisas parecem ter começado a ganhar algum tipo de forma. Não que ainda estejamos perto de atingir a sonoridade e o nível de composição que gostaríamos, mas parece que com o BTFL encontramos um caminho a ser seguido.


João: GIGANTESCA.


Timbó: Acredito que a evolução é nítida, ao mesmo tempo que há muito o que crescer e desenvolver. Melhoramos a parte de composição, a performance individual, porém sobretudo acho que evoluímos enquanto companheiros de banda. Passamos dificuldades e momentos de desacordo, mas soubemos tirar algo disso e hoje o entrosamento é algo que me deixa muito feliz.


Artur: Acho que conseguimos sim no disco dar um passo além do EP, encontramos muito mais nossa identidade, nesse processo conseguimos evoluir os conceitos do EP para algo mais maduro. Além disso o disco teve muito mais contribuição minha e do João do que o EP, que já estava praticamente todo composto quando entramos na banda, adicionar mais elementos e referências ao processo de composição acabou funcionando pra nós.



Além da música, há algum conceito visual ou narrativo associado ao álbum que os ouvintes devem explorar?

Pinga: O mito de Laoconte foi uma grande inspiração para o álbum, especialmente na construção das letras. Todos nós da banda gostamos muito de mitologias, exploramos um pouco desse gosto no EP (com Tia-Mat) e certamente será ser algo recorrente em obras futuras.


Timbó: O trabalho gráfico e visual para este disco foi desenvolvido de modo muito especial. Tivemos uma repaginação da identidade visual da banda e seu logo, feitos pela Natália Chvarts e a capa do disco, que foi perfeitamente executada pelo Luiz Alcamim. Tivemos também um lyric vídeo para o single The Effective Coziness of Non-Existence, criado pelo Michel Jacometi, que foge do padrão desse tipo de conteúdo e soma ainda mais ao trabalho completo. 


Artur: Tivemos muita sorte de contar com amigos e parceiros muito talentosos cuidando da parte visual do disco e da banda em si, inclusive pretendemos trazer esses conceitos para além do disco, mas isso quem quiser conferir vai ter que ir nos shows.



Quais são os planos da Enigma Ex Machina após o lançamento de "Blurring Thoughts, Flawless Lies"? Há alguma turnê planejada ou outros projetos que os leitores podem esperar?

João: Gostaria muito de fazer uma turnê fora de SP. Já conversamos sobre alinharmos nossas férias para tal e estamos indo atrás de contatos.


Pinga: Estamos para gravar o nosso primeiro clipe ainda este ano e pretendemos lançar no começo de 2024. Já para o ano que vem, queremos fazer muitos shows pelo Brasil e estamos para dar início a um projeto que por enquanto não podemos dar muitos detalhes, mas que com certeza será algo muito bacana e pouco explorado no nosso cenário.


Timbó: O futuro da banda como vejo hoje é muito legal. Espero que todos possam nos acompanhar nessa aventura.

Artur: Tocar muito, botar o som na rua, principalmente fora da cidade de São Paulo (chama a gente pra tocar na sua cidade)! E preparar as composições novas já com o aprendizado e com os feedbacks do disco anterior.


 

9 - Muito obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês para deixar um recado para os nossos leitores.

Pinga: Muito obrigado ao Blood Mary pelo espaço e muito obrigado a todos os leitores que tiraram um tempinho para nos conhecer. Estamos muito felizes que mais pessoas estão conhecendo e apoiando o nosso trabalho; sem vocês, nada disso seria possível! Convidamos a todos para nos seguir nas redes sociais, YouTube e nas plataformas de streaming, onde estão disponibilizadas todas as nossas músicas já lançadas. Esperamos vê-los nos próximos shows e um grande abraço a todos!




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