• Renan Soares

Crypta, Nervochaos, Belphegor e Krisiun proporcionam noite de peso no Recife


Antes de qualquer coisa, tenho que dizer que há muito tempo eu não via o aviso de "Ingressos Esgotados" para um show de metal aqui em Recife, e com isso, fiquei muito feliz em saber que há alguns dias antes do show conjunto da Crypta, Nervochaos, Krisiun e Belphegor na capital pernambucana, o Estelita Bar, local onde ocorreu o evento, avisou que todos os ingressos haviam sido vendidos. Ou seja, o domingo, dia 22 de maio, seria casa cheia no estabelecimento localizado no bairro do Cabanga, zona sul do Recife.


E ao chegar no Estelita já próximo a hora do show já era perceptível o tamanho do público presente no dia, com a fila se alongando na Avenida Saturnino de Brito. Isso por si só é uma ótima notícia, mas por conta de todo o protocolo vagaroso para a entrada do público no Estelita, a fila andava a passos de tartaruga após a abertura dos portões.


Explicando para quem não conhece o local em questão, o Estelita Bar é um estabelecimento que funciona tanto como casa de shows quanto para festas de estilos musicais mais populares, e em todos os eventos eles seguem o mesmo protocolo para a entrada do público, que no caso os mesmos entram por uma única porta aos poucos, e antes de terem acesso a toda área da casa, eles precisam apresentar o ingresso, a documentação e o número de telefone no guichê para receber uma comanda para registrar seus consumos no local.


E claro, isso faz com que a entrada no local seja vagarosa. Quando cheguei no local as 17:30, os portões já estavam abertos, mas ainda assim muita gente ainda estava no lado de fora. E mesmo com o início dos shows tendo atrasado meia-hora, a Crypta subiu ao palco próximo de 18:30 ainda com muitas pessoas esperando para conseguir entrar no Estelita, entre elas, esse que vos fala, que só conseguiu entrar quando o quarteto feminino estava executando a terceira música do setlist. E ainda tive sorte, já que teve muita gente que tinha ido especialmente pra ver a Crypta, e acabou perdendo a apresentação das meninas por conta da lentidão da fila.


Mas enfim, voltarei para esse assunto no final do texto, porque agora começaremos a falas das apresentações da noite.


Foto: Assis Roque


Mesmo tendo perdido as duas primeiras música, consegui perceber o quão a plateia estava ansiosa pelo primeiro show da Crypta, pois do lado de fora do Estelita se ouvia os mesmos clamando pela banda, e ao entrar isso ficou mais claro ainda.


Foto: Assis Roque


O quarteto, formado pelas ex-Nervosa Fernanda Lira e Luana Dametto, junto com as guitarristas Tainá Bergamaschi e Jessica Falchi (a última substituindo Sonia Anubis, que se desligou da banda recentemente), estão realizando sua primeira turnê divulgando o álbum debut "Echoes of the Soul", de 2021.


Foto: Assis Roque


Mesmo ainda com parte do público do lado de fora, o Estelita já estava fervendo e a plateia presente interagia bastante com a banda, e iniciando algumas pequenas rodas punks no meio da pista.


No palco, as meninas demonstravam toda a empolgação possível em estar ali, e o fato do palco ser baixo possibilitou uma proximidade e interação maior com o público. Infelizmente, o som prejudicou um pouco que se ouvisse as guitarras com mais clareza, mas o principal destaque seria principalmente a brutalidade de Luana nas baquetas.


Foto: Assis Roque


E claro, Fernanda como sempre demonstrou mais uma vez a ótima frontwoman que é, mesmo tendo que dividir a função de vocais com as de baixista. E obviamente, também não faltou palavras "carinhosas" para o excrementíssimo que ocupa a cadeira da presidência atualmente.


Foto: Assis Roque


Após um show rápido e intenso, a Crypta encerrou sua primeira passagem pela capital pernambucana, passando agora o palco para a veterana Nervochaos (que já tocou naquela mesma casa em inúmeras outras ocasiões).


Foto: Assis Roque


Essa foi a quinta vez em que vi o Nervochaos ao vivo, e a primeira com a banda agora como um quinteto, contando agora com o vocalista germano-americano Brian Stone a frente dos microfones.


Foto: Assis Roque


Além disso, a banda se apresentava ali sob a turnê do seu novo álbum intitulado "All Colors of Darkness", disco esse que marca a estreia não apenas de Brian no Nervochaos, mas também de toda a nova formação.


E ter agora um vocalista solto no palco definitivamente fez toda a diferença para a banda, já que Brian é o tipo de vocalista bastante instigado e bem carismático. E mesmo sem ter ainda um bom domínio da língua portuguesa, ele se esforçou bastante para conversar com o público no idioma local.


Foto: Assis Roque


O público também respondeu a instiga da banda, e mesmo no início da apresentação do quinteto ainda tendo gente na fila esperando para entrar, o Estelita seguia sendo um caldeirão fervendo.


Foto: Assis Roque


Foto: Assis Roque


E depois de um show intenso, o Nervochaos encerra a sua apresentação, e para a surpresa de todos, a atração seguinte já seria a do principal nome da noite: o Belphegor.


Foto: Assis Roque


Quando os austríacos do Belphegor subiu ao palco do Estelita para promover sua missa satânica, a casa finalmente se encontrava em seu pico máximo de pessoas, e a partir dali, as rodas punks no meio da pista passaram a ficar mais intensas e frenéticas.


Foto: Assis Roque


Além disso, a banda também caprichou na ambientação de palco, tanto no cenário quanto na iluminação, que mesmo não deixando a apresentação mais iluminada possível, encaixou bem na atmosfera sombria que o grupo passa em suas músicas.


Foto: Assis Roque


Foto: Assis Roque


Diferente das atrações anteriores, os caras do Belphegor são bem mais reservados e interagiram pouco diretamente com a plateia, ou seja, bem aquele perfil europeu mesmo, mas claro, isso não afetou em nada o êxtase do público, que não deixou de cantar as músicas junto.


Foto: Assis Roque


Após mais ou menos 50 minutos, o Belphegor encerrava sua apresentação no Recife, dando espaço agora para o Krisiun fechar a noite com chave de ouro.


Foto: Assis Roque


Quem conhece o Krisiun sabe muito bem a pegada que é um show do trio gaúcho. Definitivamente não faltou peso, e principalmente no início as rodas punks chegaram no nível mais insano possível no Estelita.


Foto: Assis Roque


Assim como ocorreu durante a apresentação da Crypta, o Krisiun também aproveitou a oportunidade para mandar palavras "carinhosas" para o excrementíssmo que ocupa a cadeira da presidência atualmente.



Foto: Assis Roque


Por parte do público a apresentação começou intensa, mas ao longo que foi ocorrendo o pessoal foi esfriando aos poucos, primeiramente por conta do cansaço da maratona de shows da noite, e em parte porque havia uma parte já deixando o Estelita por conta do horário (eram mais de dez da noite, e certamente muitos ali iriam trabalhar na segunda de manhã).


Foto: Assis Roque


Com isso, por volta das 23h, o Krisiun encerrava sua apresentação, fechando também esse evento de peso no Estelita.


E antes de encerrarmos, vamos para algumas considerações finais.


Foi um evento memorável, e também é muito bom ver o Estelita lotado para um show de metal, algo que eu não via há um bom tempo (considerando os eventos antes da pandemia). E as bandas deram verdadeiros espetáculos no palco.


Mas agora irei voltar a questão que eu falei no início do texto referente a entrada vagarosa no Estelita, que me fez perder o início do show da Crypta, e fez outros perderam toda a apresentação da banda em questão. Ressaltando que havia muita gente ali que foram pra ver especialmente eles, em alguns casos que tinham vindo de outras cidades.


Eu poderia falar que o Estelita deveria rever todo o protocolo de entrada do público nessas ocasiões para agilizar o máximo possível. Mas como um frequentador da casa em questão sei que isso dificilmente irá acontecer, então, a sugestão que eu deixo é que eles realizem a abertura dos portões com pelo menos duas horas de antecedência, para dar tempo de entrar todo mundo antes do show começar.


E não apenas isso, é essencial que esses horários sejam cumpridos, coisa que também não aconteceu, o que inclui também o tempo das bandas passarem o som, já que o acesso a pista não é liberado durante isso (o que certamente contribuiu para esse transtorno).


Mas há uma melhora no protocolo de saída que irei ressaltar, que é o fato de agora eles estarem facilitando a liberação daqueles que não consumiram nada durante o evento, já que antes, os mesmos precisam enfrentar a mesma fila daqueles que consumiram para ir embora.


No caso, houve uma pessoa abordando o pessoal perguntando se tinha alguém que não consumiu nada, e se a resposta fosse positiva, a pessoa já recebia a sua liberação.


No mais, ficamos aguardando o próximo eventos, que estão a todo vapor nesse primeiro semestre.

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