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Aneurose: entrevista com o quinteto mineiro de Thrash Metal



Na estrada de desde 2002 e nascida em Minas Gerais, na cidade de Lavras, o quinteto mineiro Aneurose é um dos grandes expoentes do Thrash Metal nacional na atualidade.


A banda é formada por Wall Almeida (vocal), Sávio Chaves e Raphael Wagner (guitarras), Sthéfano Dias (baixo) e Kiko Ciociola (bateria), que bateu um papo muito legal com o Bloody Mary. Confira!


- Para quem ainda não conhece Aneurose, o que o ouvinte pode esperar?

Kiko Ciociola: Pode esperar muito metal. Agora estilo é uma questão dele decidir. A gente faz um som da forma como sentimos e achamos que está legal. Tem um monte de vertente ali no meio que a princípio não iria ficar bom mas no final curtimos e fica com a nossa cara, a nossa visão da realidade.


- Vocês possuem 3 álbuns completos lançados, sendo o último deles o "Made in Rage". Falem um pouco sobre o amadurecimento da banda e da importância de cada um dos trabalhos.

Kiko: o “From hell” foi o primeiro e ele foi um ponto crucial porque a banda decidiu fazer um trampo que fosse profissional demais. Muita gente na época não acreditou que “uma bandinha de Lavras” poderia fazer um cd com aquela qualidade e dentro daquela massa sonora. Eu mesmo não fazia parte da banda e comprei o cd e curti demais, bem gravado, músicas boas. Tudo bem feito.


No segundo cd, o Juggernaut, foi o primeiro cd com a formação atual. E a banda ficou mais diversificada por eu e o Raphael escutarmos outros estilos musicais que antes não eram tão presentes. Daí a mistura evoluiu naturalmente. Uma coisa que me lembro bem quando entrei e começamos a compor, é do grau de liberdade que a banda tem nesses momentos. A gente testa tudo, escutamos as opiniões de todos e levamos tudo em consideração. Tem uma faixa do Juggernaut que eu criei um ritmo todo complicado e custei pra conseguir fazer ele mas não ficou bom. O pessoal percebeu e comentou e ficou uma das levadas mais tranquilas e sonoramente muito melhor.


Já o Made in Rage nasceu de mais tempo tocando junto. Já entendíamos como funciona a composição. Compomos muitas músicas. Fizemos várias Jam Sessions e todo dia de ensaio acabávamos compondo um som novo. Facilitou o trabalho. No final a gente chega pra ensaiar e um puxa um riff e todos vão seguindo. Parece que a música já existia. Ela sai verso, pré refrão, refrão passagens.. como se já soubéssemos essa música naquele momento. É uma criação instantânea que eu, como baterista da banda, fico tentando levar pros shows(um dia ainda vamos fazer isso). Mas o Made in Rage ficou sendo uma confirmação do que a banda acredita e que percebemos que funciona.




- Made in Rage é um disco que teve uma recepção muito boa do público e da crítica. Vocês já estão começando a escrever músicas para um novo trabalho?

Kiko: Olha, temos conversado bastante sobre isso e já definimos um tema específico pro próximo álbum. Já temos umas bases pré definidas e agora com a volta dos shows deveremos lapidar e dar continuidade ao processo. Vai ser um álbum mais conceitual voltado pra uma determinada história da nossa cidade. E por enquanto é o que eu posso dizer.


- Vocês foram destaque do ano em vários veículos, inclusive tendo o baterista votado como um dos melhores do Brasil da revista Roadie Crew. Vocês acreditam que a banda está em seu melhor momento?

Kiko: Olha.. esse lance de votação foi incrível. Eu tive a sorte de estar ali no meio com tanta gente boa no cenário. E eu fiquei feliz demais porque não me preocupei em fazer campanhas. Entendo que é legal mas isso não é realmente importante. Pra mim valeu porque foi o Made in Rage e meus irmãos de banda que me proporcionaram essa possibilidade. Mas considero mérito da banda.


Eu acredito que o melhor momento da banda sempre vai ser o próximo. É diferebte pensar assim mas tenho acompanhado de perto o que o Aneurose pode fazer e quando achamos que estamos no auge, a gente se reinventa e seguimos em frente. É aquela história do Fernão Capelo, o gaivota. O limite é uma questão que sempre vai dar pra ultrapassar se você está buscando a sua verdade. E é assim que vejo a Aneurose, sempre buscando mostrar a nossa verdade.





- A pandemia impactou o cenário das bandas underground de uma forma muito profunda. O que vocês fizeram para manter a banda unida e ativa neste período?

Kiko: no começo foi meio assustador. Tivemos que entregar a casa que aluga vamos pra ensaiar, ficamos sem lugar e isso atrapalhou bastante até conseguirmos um lugar descente. Daí todos acabamos por pegar covid e isso dificultou ainda mais tudo. Mas trocamos ideias pelo whatsapp, fizemos umas reuniões e tudo se mantém forte e unido. E agora com todos vacinados a tendência é melhorar cada vez mais. Viva a ciência e viva o SUS.


- Vocês organizam o Aneurose Festival, que já teve sete edições. Falem um pouco sobre como surgiu a ideia, shows mais marcantes e quais os planos para novas edições.

Kiko: O Aneurose sempre fez festivais, até mesmo antes d eeu entrar na banda. Eu cheguei a assistir um evento que eles organizaram e curti muito. Então a ideia foi só adequar ao nome da banda tá ajudar na divulgação. Com tanta banda foda e com acesso menos difícil pra gravações de qualidade, a banda precisa saber se divulgar. Não adianta nada ter um super cd se ele não chegar nas pessoas. É tipo investir R$1000,00 pra produção de uma propaganda e quando for divulgar, fala pro pessoal só distribuir nem uma rua apenas. Tem que dosar certinho . E o nome do festival, que sempre prioriza o evento como um todo, desde a recepção das bandas, a alimentação, hospedagem, qualidade sonora e de palco, acaba agregando um valor legal aí nome Aneurose, fortalecendo o mesmo. E a forma de troca de shows ajuda a gente a conseguir fazer isso de uma maneira legal ao mesmo tempo que nos ensina quem tá no corre e quem não tá e fica só no “tudo pra mim e nada pros outros”. Acho que as bandas precisam entender que quando tem outra banda que se respeita no festival, todos ganham e a cena cresce. Qualquer festival é maior do que qualquer banda que se apresenta nele e isso é importante. Durante o fest a banda tem que ter essa noção pra fazer o fest correr bem e todos curtirem.


Capa do álbum Made in Rage, lançado em 2021.


- Quais são os planos da banda para 2022?

Kiko: Por hora, voltar pra estrada que é onde a banda pertence. E dar continuidade na composição do novo material que vai exigir bastante da gente por ser uma parada que a gente nunca fez e vai ser novo. Com certeza iremos crescer muito como músicos e musicistas e principalmente como banda. Vai ser divertido demais.

- Obrigado pela atenção! Deixem suas considerações finais e uma mensagem para os leitores.

Kiko: Só temos a agradecer ao site Bloody Mary pela oportunidade de estar aqui falando um pouco sobre nosso trabalho. Isso nós dá ânimo pra continuar.

Abaixo deixo o link com todos os nossos contatos e lembre-se de nos chamar pros festivais aí da sua região que a gente leva a nossa cachaça pra aquecer seus corações. Valeu

https://linktr.ee/Aneurose



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