• Renan Soares

Abril Pro Rock: confiram a resenha da edição especial de 2022


Após quase 3 anos de hiato causado pela pandemia da Covid-19, o tradicional festival recifense Abril Pro Rock, que completa 30 anos de existência em 2023, finalmente voltou a acontecer em seu formato presencial, em uma edição especial, e um tanto peculiar.


Começando pelo fato que pela primeira vez o Abril Pro Rock não ocorreu no mês que leva o nome do evento, tendo acontecido no dia 12 de novembro, no Clube Português do Recife (que provavelmente será a nova casa do festival após o fechamento do Baile Perfumado, sede das edições de 2018 e 2019). Esse detalhe certamente se deve ao fato que devido as incertezas que o mercado musical ainda estava no final de 2021, e início de 2022, não foi possível realizar o festival em abril.


Além disso, o evento ocorreu em apenas um dia (normalmente ocorre em dois ou três dias), com apenas seis atrações, nenhuma delas gringa, e com apenas um palco (normalmente as atrações se alternam em dois palcos).


No line-up, tivemos três bandas locais, sendo elas a Sun Diamond, United For Distortion e Arquivo Morto, e três grandes nomes nacionais, sendo esses o Dr. Sin, o Ratos de Porão e a Nervosa. Vale ressaltar que desses, as três atrações locais e a Nervosa estavam confirmados na edição cancelada de 2020.


A abertura dos portões do Clube Português estava prevista para as 17:30, e o início das apresentações para as 18h. Podemos dizer que a primeira parte foi cumprida a risca, pois quando cheguei ao clube próximo desse horário a entrada do público já estava liberada, já a segunda, surpreendentemente, não foi (em seus quase 30 anos, o festival sempre prezou pela pontualidade). Apenas por volta de 18:30, a Sun Diamond subiu ao palco abrindo os trabalhos do Abril Pro Rock 2022, ainda diante de um pequeno público presente no Clube Português.


Foto: Assis Roque


A apresentação da banda recifense de Hard Rock foi curta, mas intensa, e a escolha do setlist certamente foi visando isso, principalmente levando em consideração que eles deixaram todas as baladas de fora, mostrando um repertório com as músicas mais pegadas do seu primeiro álbum homônimo, de 2017, e também o novo single recém-lançado “Rising From the Ashes”.


Foto: Assis Roque


Além disso, a própria demonstrou bastante energia e empolgação em cima do palco, principalmente por parte do vocalista Ailton Neto e do baixista Miguel Guerra, isso sem falar na fúria que o baterista Mike Rodrigues colocava nas baquetas.


Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


E apesar da banda como um todo ter se mostrado um pouco enferrujada em alguns momentos por conta do longo período em que ficaram sem se apresentar, ainda assim eles fizeram um show digno de abertura para o retorno do Abril Pro Rock.


Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Após mais ou menos quinze minutos de intervalo, o palco estava pronto para a United For Distortion solta todo o peso do seu Groove Metal.

Foto: Assis Roque


Divulgando seu mais recentemente álbum “Rise And Fight”, de 2021, a United For Distortion soltou toda a brutalidade possível para os presentes, que ainda chegavam aos poucos no Clube Português.

Foto: Assis Roque


Apesar de estarmos falando de uma banda de Metal Extremo, os presentes ainda preferiram curtir o show do quinteto recifense mais de boas, por mais que o som da United rendesse bons e insanos mosh pits.


A apresentação da United For Distortion também contou com grandes participações especiais, sendo a primeira do vocalista André Arcelino, vocalista da veterana Hanagorik, um dos principais nomes do underground de Surubim, no interior de Pernambuco, durante a faixa “Criminal Instinct” (que conta com a participação de André na versão de estúdio).

Foto: Assis Roque


A segunda participação especial foi do vocalista Fabrício Nunes, da banda Plugins, que deu sua contribuição na faixa “Preguiça Coletiva”, única do reportório do United cantada em português (na versão de estúdio, além de Fabrício, a faixa também participação de Cannibal, do Devotos).

Foto: Assis Roque


Mas o momento mais marcante da apresentação foi quando tanto Fabrício quanto Arcelino se juntaram a banda no palco para tocar o cover da música “Puta Que Pariu”, da banda Os Cachorros de Olinda, em homenagem ao fundador Ajax de Troya, falecido no início de outubro.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


E ao som da faixa “The Soul of a Warrior”, a United For Distortion encerrava a sua apresentação, dando espaço para a Arquivo Morto, última atração local da noite.

Foto: Assis Roque


A banda Arquivo Morto é mais uma daquelas bandas de Grindcore cuja as músicas têm uma duração média entre 30 segundos e um minuto e meio, com isso, mesmo tendo apenas meia-hora de apresentação, o quarteto apresentou nada mais, nada menos do que 28 músicas, sendo quase o seu único álbum “Maranguape Is Powerviolence”, de 2019, completo, e o EP “Segredos da Dominação”, de 2018.

Foto: Assis Roque


Nesse momento, o público, agora em um número um pouco maior, pareceu ter finalmente acordado e iniciado os primeiros mosh pits mais intensos da noite.


Não faltaram também discursos com teor político por parte da banda, o que certamente era esperado, por se tratar de um grupo que faz questão de deixar claro seu posicionamento político a esquerda, e anti-capitalista, o que combina também com a proposta do próprio Abril Pro Rock nos últimos anos, que tem feito cada vez mais questão de ser um festival declaradamente de esquerda.

Foto: Assis Roque


A apresentação também contou com a participação especial da vocalista Luanda Luá, da banda Mennarca HC, na faixa “Golpe Conservador”.


Foto: Assis Roque


Foto: Assis Roque


E depois de muito peso e intensidade, se encerrava com a Arquivo Morto a apresentação das bandas locais, e começava a partir do Dr. Sin o show das atrações nacionais daquela noite.

Foto: Assis Roque


Podemos dizer que o Dr. Sin foi um ponto fora da curva em relação as outras atrações da noite, pelo fato de ser uma das únicas bandas melódicas da noite, junto com a Sun Diamond, mas mesmo em relação ao grupo que abriu a noite o trio se diferencia, já que a Sun fez um show bem mais pegado enquanto o Dr. Sin apresentou um repertório muito mais técnico e cadenciado.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Por parte do público, certamente aqueles mais fãs de som extremo se dispersaram, mas mesmo assim um grande número de pessoas fizeram questão de conferir e cantar junto com o trio paulista, mostrando a grandeza do nome da banda no cenário nacional.

Foto: Assis Roque


Um dos pontos altos da apresentação foi durante a música “Fire”, quando o cantor recifense Erick Jones, vocalista da banda Frygia, fez uma participação especial, levantando o público presente com sua presença de palco e potência vocal.


Foto: Assis Roque


E certamente a banda quis dar um show no mais alto nível para os recifenses, já que ali eles estavam realizando a apresentação que era para ter ocorrido na cidade em março de 2020, tendo a mesma sido cancelada faltando duas semanas para a data por conta da pandemia da Covid-19.


Foto: Assis Roque


Nesse momento, peço licença rapidinho para falar de uma outra coisa paralela ao show que acabou atrapalhando a minha experiência de assistir a apresentação do Dr. Sin, pois mais ou menos na metade do show do trio eu fui comprar uma água em um dos bares, e só consegui retornar a pista após o fim da apresentação dos paulistas.


Para que os caros leitores tenham noção, fiquei praticamente 20 minutos na fila do bar para conseguir comprar uma garrafa de água, e esse cenário pareceu não ter sido diferente ao longo do evento. Ou seja, aqueles que quisessem comprar uma bebida teriam que sacrificar um bom tempo de apresentação de uma das bandas, e isso certamente foi causado por conta do número baixo de maquinetas para quem desejava pagar no cartão (ou seja, a maioria dos clientes), e também por conta da falta de tato dos atendentes para conseguir fazer a fila andar mais rápido. E o resultado final disso eu senti na pele.


Com isso, não restava outra alternativa que fosse aguardar a apresentação do Ratos de Porão, que certamente era o show mais esperado da noite.

Foto: Assis Roque


Os 30 anos do Abril Pro Rock e os 40 anos de Ratos de Porão se convergem em vários momentos, já que eu mesmo perdi as contas da quantidade de vezes que a clássica banda de Punk se apresentou no festival.

Foto: Assis Roque


E mesmo tendo tocado inúmeras vezes no evento, para os fãs recifenses um show do Ratos de Porão nunca é de mais, mesmo se a banda vier tocar por aqui anualmente, e a prova disso é que o show do grupo liderado por João Gordo foi o mais insano da edição de 2022, tendo o Clube Português chegado no seu ápice de público naquele momento.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Certamente, quem quisesse ficar parado teria que sair do meio da pista, pois as rodas punks chegaram na intensidade máxima, e sendo instigadas pelo som pesado da banda no palco, e também por discursos político dos integrantes contra o atual Governo Federal.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Além de tudo, o setlist do Ratos contou com diversos clássicos dessas quatro décadas da banda, como “Beber Até Morrer”, “Crucificados Pelo Sistema”, e também faixas do novo álbum “Necropolítica”.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


E após uma hora e quinze de rodas punks ininterruptas vocês acham que a noite terminou por aqui? Nada disso, pois agora restava a última atração do dia, se tratando da banda feminina Nervosa.

Foto: Assis Roque


Apesar da Nervosa ter sido, teoricamente, a principal atração da noite (tanto que foram as escolhidas para encerrar o evento), certamente para o público, o principal show era o do Ratos de Porão, já que após o fim da apresentação dos mesmos, uma parte da plateia havia deixado o Clube Português (somando também ao cansaço da maratona de shows). E lembrando que a Nervosa era das bandas que estava confirmada na edição cancelada de 2020 (na época, ainda contava com Fernanda Lira e Luana Dametto na formação).

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Apesar de oficialmente a Nervosa ser uma atração nacional, daria pra dizer que elas foram a atração internacional da noite, já que atualmente a guitarrista Prika Amaral é a única brasileira na formação, que também conta com a espanhola Diva Satanica nos vocais, a grega Helena Kotina no baixo (substituindo Mia Wallace temporariamente) e a argentina Nanu Villalba na bateria.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Mesmo com o número de presentes tendo diminuído quando se iniciou o show da Nervosa, os que permaneceram lá fizeram questão de cantarem juntos e fazerem novas rodas punks ao som do Thrash Metal frenético das meninas, que tocaram um setlist mais focado no mais recente álbum “Perpetual Chaos”, de 2021.

Foto: Assis Roque


Mas claro, não faltaram também algumas músicas dos três primeiros álbuns (tiveram inclusive faixas do primeiro EP de 2012), e quando essas canções eram executadas ficava mais claro a diferença do vocal da Diva para o da Fernanda Lira, já que em alguns momentos ficou difícil reconhecer as músicas em questão.

Foto: Assis Roque

Foto: Assis Roque


Inclusive, a própria Prika assumiu os vocais na “Urânio Em Nós”, uma das únicas músicas em português do repertório da Nervosa, se utilizando bem mais dos guturais típicos do Death Metal, assim como a Diva.

Foto: Assis Roque


E por fim, não faltou animação e presença de palco por parte das meninas, principalmente da vocalista Diva Satanica, que além de tudo se garantiu ao conversar com o público em português (o fato dela ser da Galícia, região da Espanha onde se fala galego, certamente a ajudou nisso).

Foto: Assis Roque


E assim, se encerrou a edição especial do Abril Pro Rock 2022, com a produção já confirmando a edição de 2023 nos dias 22 e 23 de abril no seu formato usual, mas ainda sem confirmar atrações.

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